Sexta-feira, Abril 28, 2006

Contraste

A neve caía intensamente. Da janela ela conseguia avistar o quarto dele. Acendeu um cigarro, desligou a tv e apagando a luz da sala, resolveu sentar ali na varanda e ficar espreitando perdida em pensamentos. Morava de frente ao apartamento dele. Da sua janela conseguia vê-lo deitar e acordar. À medida que ia olhando, pensava nos momentos passados e imaginava que sentia vontade de repetir tudo aquilo que desenhava na mente.

Ele acendeu a luz e entrou no quarto, tirou o casaco e pendurou. Jogou a carteira e o celular na cama e tentou abrir a janela, mas resistiu. A neve não dava trégua. Ele não sabia que estava sendo observado. Do outro lado, na escuridão da noite fria, pensavam nele.

Saiu do quarto deixando a luz acesa. Ela ficou alerta. Não queria ser percebida, nunca admitiria isto! Mas permanecia curiosa, querendo saber se ele sairia novamente. De repente ele retorna ao quarto e pega o celular, sai novamente. Ela cada vez mais tensa desejando se livrar do seu orgulho leva um susto. Seu telefone toca. Ela levanta, hesita, senta novamente.

Seria ele a ligar? De repente ela sai correndo, mas no meio do corredor a decepção, o telefone para de tocar. Ela volta cabisbaixa e senta na varanda novamente esperando por ele. Então ele reaparece no quarto, joga o celular na cama e apaga a luz. Agora ela não poderia vê-lo.

Para ele, agora estavam empatados.

Então ela tem uma idéia. Levanta-se novamente e liga para ele, não para seu celular, mas para sua casa. Espera, espera, espera e quando ele atende finalmente, ela ouve a sua voz e desliga depressa.

Para ela, agora estavam empatados.

Estavam apaixonados, desejando um ao outro, perdendo noites e noites de sono. O problema é que o jogo do orgulho teimava em distanciá-los.



A diferença entre amor e paixão pode ser sutil: na paixão joga-se pelo prazer, no amor vive-se pelo sentir!

Dá para ver nessas horas que o amor só se mede alguns degraus acima do prazer!




Nota: não faço a mínima idéia do que me fez criar este texto! Enfim, penso eu de que...

Quarta-feira, Abril 26, 2006

Ditados meus

A política conteporânea atual de hoje em dia, nos dias de hoje, transforma-se cada vez mais numa grande sacanagem. Mas o Brasil nunca é convidado para participar, pois é considerado um país de alto risco.



Para eles a honestidade...

... é igual a carteira de identidade: quando se perde, é só tirar uma segunda via!




KARAOKE (The World Is Not Enough, Garbage)
I know how to hurt
I know how to heal
I know what to show
And what to conceal

I know when to talk
And I know when to touch
No one ever died from wanting too much

The world is not enough
But it is such a perfect place to start, my love
And if you're strong enough
Together we can take the world apart, my love

People like us
Know how to survive
There's no point in living
If you can't feel alive

We know when to kiss
And we know when to kill
If we can't have it all
Then nobody will

The world is not enough
But it is such a perfect place to start, my love
And if you're strong enough
Together we can take the world apart, my love

I feel safe
I feel scared
I feel ready
And yet unprepared

The world is not enough
But it is such a perfect place to start, my love
And if you're strong enough
Together we can take the world apart, my love

The world is not enough
The world is not enough
Nowhere near enough
The world is not enough...

Domingo, Abril 23, 2006

Farsa

O que leva uma moça a planejar o assassinato dos próprios pais? O que leva uma moça a planejar a morte dos próprios pais, juntamente com o namorado e o irmão do namorado? O que leva uma moça que tinha tudo do bom e do melhor, a planejar um assassinato onde os pais serão mortos com barras de ferro dentro do quarto?

Para quem quiser saber qual a situação da moça hoje, deixo aqui o link do Fantástico!




Nota: eu ainda acredito na Justiça Brasileira. Tenho certeza de que, por ser ré primária e não ter completado nenhum doutorado sequer, Suzane poderá cumprir a sua pena num jardim de infância. Afinal, as pessoas têm que entender que Suzane Richthofen, apesar do seu aspecto de menina rica, é uma moça de origem humilde que teve educação rústica: come de boca aberta e não acha que para mandar matar os pais tem que pedir licença primeiro.

Sexta-feira, Abril 21, 2006

Refúgio

A lua toca o mar
O vento vem esfriar
A areia que se deixa molhar
Pela água que reflete o luar

A solidão me faz apreciar
O silêncio que parece acalentar
Mas na verdade pretende soletrar
A angústia que veio me acompanhar

A felicidade parece zarpar
O tempo parece se arrastar
O céu parece chorar
Enquanto a chuva parece chegar

Sentado na beira da pedra a pensar
Observando o horizonte a se desdobrar
Imaginando a tristeza encontrar
A lua que já não mais toca o mar



Não, não estou inspirado...

Tem dia que a noite é #$%¨@$&*!!!!

Segunda-feira, Abril 17, 2006

Disputa?

Dizem que potência não é nada sem controle. Eu completaria, não é nada sem concorrência também.




Imagina eu pilotando essa moto e você de bicicleta!

Quinta-feira, Abril 13, 2006

O Sonho

Ontem a tarde tive um sonho fantástico, extraordinário, esplêndido. Estava numa praia, sentado na beira do mar. Uma praia deserta. Estava conversando com Deus. A praia deserta, totalmente. Eu podia perguntar tudo que quisesse, Ele sempre respondia com calma. Perguntei várias coisas, tirei inúmeras dúvidas, conversamos sobre diversos assuntos e Ele sempre me respondia de forma clara e simples.

Ele sorria sempre e passou a mão na minha cabeça duas vezes. Disse coisas lindas e me ensinou outras tantas. O sentimento de paz era incrível, algo impossível de descrever. Nossa conversa durou uns quarenta minutos. O tempo passava devagar e eu não precisava me preocupar com coisa alguma.

Ele estava sentado ao meu lado, era imenso. O mar estava calmo e as gaivotas voavam para lá e para cá. Às vezes Ele ficava mudo olhando a linha do horizonte, eu percebia que nem sempre Ele respondia olhando para mim.

Ele percebeu que eu não sorria muito, Ele sabia. Ele sempre sabe de tudo. Mas mesmo sabendo, Ele fazia questão de me perguntar e era através do diálogo que Ele demonstrava o quão Ele se importa conosco, com você, comigo. Quando eu ficava calado, ele perguntava se eu queria fazer outra pergunta.

Eu perguntei para Ele se não era chato para Ele conversar, fazer perguntas sendo que Ele já sabe até as respostas que vamos dar. Ele desenhou na areia e depois olhou para mim sorrindo e disse que apesar de já saber, o que importa é como nos comportamos e reagimos perante as tribulações e não o que iremos dizer. Eu disse também que não queria ir embora dali, queria ficar ali, não queria voltar. Falei isso várias vezes, fui insistente mas foi aí que Ele passou a mão na minha cabeça pela primeira vez. Não entendi na hora muito bem, porque Ele nada falou. Apenas chamou uma gaivota que veio pousar ao nosso lado. Então começou acariciá-la. Depois de alguns minutos, muitas gaivotas estavam ao nosso lado, voando perto de nós. Só a que Ele chamou é que pousou, as outras faziam algazarra, agitadas em nossa volta. Aí ele falou com a nossa gaivota que Ela devia ir, e ela partiu sendo seguida pelas outras.

Então as outras gaivotas partiram felizes, sem algazarra. Depois disso eu parei de repetir que queria permanecer ali, e perguntei se eu tinha que ir embora naquele momento. Foi quando Ele passou a mão na minha cabeça pela segunda vez e apagou o desenho que Ele havia feito na areia. Eu não pude ver o desenho porque seu corpo era imenso e Ele desenhou do seu lado direito, eu estava do lado esquerdo e por isso não pude ver. Mas o interessante é que não fiquei curioso de saber qual era o desenho.



Nunca havia sonhado assim antes, acordei completamente suado e atónito.

Não consigo descrever com detalhes, mas nem preciso!

Terça-feira, Abril 11, 2006

Expectativas

Porque é feriado quarta, quinta e sexta... e o meu promete!




Uma vela, dois espelhos.

Segunda-feira, Abril 10, 2006

Pretérito

Era verão. O calor proporcionava dias longos. Alice abriu os olhos. Sentou-se na cama, de lado, e tateava com os pés buscando os chinelos embaixo da cama. Soltou o cabelo e virou-se. De pé, tirou seu pijama e atravessou o quarto a procura da irmã. Abriu a janela e respirou a brisa matinal. Os raios de sol adentraram no recinto acordando Berenice que olhava a irmã mais velha debruçada no parapeito remendando os passarinhos. A caçula espreguiçou-se e se preparou para descer.

Alice era responsável pela irmã enquanto seus pais passavam o dia na roça buscando o sustento da família. Era uma manhã de sábado e Berenice após seu desjejum saiu depressa e foi ao quintal. Tímida que era não tinha amigos e sua companhia era seu cão, amigo fiel que sempre estava prestes a realizar os caprichos de sua dona.

De vez em quando, Alice espiava da janela, interrompendo o ensopado que preparava, para saber de Berenice que se distraía com seu único e melhor amigo. Em meio aos latidos carinhosos, eram cúmplices de brincadeiras, escapadelas e mimos e entre saltos e cambalhotas, passavam as manhãs como quem ainda não precisa ter responsabilidades e pode desfrutar das coisas simples da vida.

Alice levava o almoço para seus pais todos os dias. Deu um beijo na irmã e partiu. O relógio marcava meio dia e o sol castigava. Berenice largou o balanço e correu para dentro. Lavou as mãos, fez seu prato e rezou agradecendo a comida. Era um ritual. Sempre almoçava solitária.

De repente, ela ouve um barulho. Um vidro espatifando. Assustada, deixa cair seu copo. Em pé, todo sujo no centro da sala, um homem. Ele avança até Berenice. Ela tenta se esquivar mas pára encurralada no canto da sala. Ela tenta gritar mas leva um tapa, e chorando acuada, vai sentando, sem entender aquilo que lhe ocorria.

Lá fora Alice caminhava assobiando, cantarolando, imaginando se sua irmã caçula lavaria a louça ou deixaria tudo amontoado como fizera no dia anterior.

Lá dentro Berenice vivia seu calvário. Estava sendo amordaçada e torturada. Ele tentando domar a vítima, feriu a menina com sua lâmina bem no queixo provocando um ferimento intenso. Berenice quando estava prestes a ser violentada, quando estava prestes a ser possuída por aquele homem enlameado e mal vestido ouviu um latido. Seu cão ali fora, do outro lado da parede, arranhava a madeira e farejava.

Desesperadamente o homem colocou-se de joelhos e abotoando sua calça, xingava o cão e olhava para os lados sem saber que atitude tomar. Berenice aproveitando da distração de seu algoz, mordeu-lhe o pulso com toda a força do mundo. O homem berrou, um grito abafado e rouco. Revoltado, ele deu um tapa na cara de Berenice que caiu batendo com a cabeça no chão, desmaiando. Então ergueu seu braço e viu que o cão já pulava pela janela da cozinha e mordia seu ombro, atacando por trás. Era uma luta de homem e cão. Ferido e cambaleante, o homem deixou sua arma cair e correu até a pia. Achou uma faca que agitava freneticamente tencionando mais defender-se que atacar o cão feroz. Correu para o quarto e quando viu que estava encurralado, pulou a janela e fugiu desaparecendo na mata.

O cão voltou pela escada e dando na sala, foi até Berenice. Sentou ao lado de sua dona e ficou ali, parado perante aquele corpo antes bonito e agora arranhado e desfigurado.

Alice retornou. Entrou na sala e gritou ao presenciar aquela cena chocante. Viu que sua irmã estava desacordada e voltou correndo à roça. Seu pai sabendo da notícia, interrompeu o trabalho e correu, correu como nunca havia corrido. Chegando em casa, viu sua filha e num impulso descontrolado, pegou o cão, pegou sua arma e o levou ao alto do morro que ficava atrás de sua casa. Arrastava o animal pela coleira e enquanto isso Berenice em casa ia retomando os sentidos até que abriu os olhos e viu sua irmã ajoelhada diante de si e foi quando ela contou que sofrera uma tentativa de estupro e que seu rosto estava cortado mas que poderia ter sido pior se não fosse seu cão. Foi quando ela quis saber do seu protetor.

Alice danou-se a correr, gritava pelo pai mas não sabia onde encontrá-lo. Olhou para todos os lados e então seguiu sua intuição. Atravessou a cerca e contornando o barracão, foi subindo o morro, ofegante, com as mãos nos joelhos, corria, corria desesperadamente, puxando sua longa saia para correr mais depressa. E quando chegou ao pé do morro, viu lá longe o tiro.

Inocente. Repetiu pronunciando baixinho a palavra. Inocente. Suas lágrimas desciam pela face. Alice caminhou devagar e aproximando-se de seu pai, disse mais uma vez, inocente. O cão era inocente.



Algumas decisões parecem certas aos nossos olhos...

... mas nem milagre faz o tempo andar para trás!




Nota: várias pessoas me perguntaram hoje de quem é o texto. Digo que são de vocês. Eu apenas inventei a história enquanto relaxava na madrugada. Criem vocês os comentários, afinal a casa é vossa!

Sábado, Abril 08, 2006

Insipiência

Há pessoas que excedem no orgulho. Não falo aqui do orgulho normal, falo daquele exorbitante, que chega a transformar situações corriqueiras em grandes tragédias. Quando este sentimento transpassa a barreira do comum e fere o limite da normalidade humana, é que o perigo se apresenta porque nesse caso há o risco de nos ferirmos ou de nos contagiarmos.



Estou aqui sozinha neste calor...

... mas não dou o primeiro passo. A chuva que me procure!

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