Quinta-feira, Setembro 28, 2006
Triângulo desprotegido
Ele terminou de sorver o líquido e pousando o copo sobre a mesa, dobrou o jornal e caminhou até a sala. Olhou o relógio e sentou-se inquieto. Ela estava atrasada. Ligou a televisão, mas desligou em seguida.
Ela caminhava a passos curtos. Lá fora a noite começava e ela não se importava com o atraso. Imaginou que ele estivesse esperando por ela e então ficou aliviada. Prosseguiu andando pela calçada até parar na porta de um shopping. Relutou em entrar, mas acabou por fazê-lo.
Ele levantou do sofá e caminhou até a janela. Lá do alto ele via o trânsito lá embaixo. Enxergava as pessoas como formiguinhas. Não poderia vê-la dali e então tomou uma providência. Foi até o quarto e pegou o binóculo.Voltou até a janela e ficou ali mirando sua visão lá para baixo.
Ela caminhava apressadamente entrando no shopping. Lá dentro havia outra pessoa esperando por ela. Foi subindo pelas escadas rolantes quando lembrou daquele que estava no apartamento a esperá-la. Mas a sua pressa resumia-se a encontrar com outra pessoa.
Agora sim. Agora ele lá do alto de sua varanda, tinha uma visão privilegiada. Decidiu ficar ali esperando por ela, não mais porque queria vê-la, mas para saber de onde ela viria.
Terminou as escadas rolantes e foi caminhando a passos largos quando parou em frente ao cinema. Lá estava a outra. Ficaram uma encarando a outra num olhar sério e compenetrado até que ela começou a caminhar de encontro àquela que aguardava. Quando se aproximou, pegou na mão da que esperava e deu um beijo no rosto.
Ele já espumava de ódio. Preso no apartamento, não fazia idéia de onde ela pudesse estar. Aquilo era uma tremenda falta de respeito, pensou.
Elas começaram a caminhar para o estacionamento em direção a um carro. Perceberam então que começava chuviscar e correram. A outra abriu a porta do carro e elas entraram.
Ele já estava cansado de ficar em pé no parapeito daquela janela observando as pessoas lá embaixo. Queria deitar e dormir e esquecê-la.
Dentro do carro, elas não se falavam. Olharam mais uma vez uma para a outra e começaram a se beijar. Começou suave e logo foi ficando difícil de manter a decência ali, no estacionamento do shopping.
Ele resolveu descer e esperar por ela no térreo.
Depois de quase uma hora, elas saíram do estacionamento do shopping e foram embora. Ela sabia que ele esperava por ela e ela estava bem atrasada, teriam brigas por isso. Ainda deu um último beijo na outra e deixou um arranhado em seu pescoço. Como não queria brigar com ele esta noite, pediu que a outra a deixasse em casa. Não ia mais encontrar com ele por hoje. A dona do carro a deixou em casa. Fez o contorno na pista e minutos depois estava subindo o elevador do seu prédio. Quando a porta se abriu deu de cara com ele.
Ele não teve tempo de disfarçar a surpresa ao vê-la, pois esperava outra. Sua esposa perguntou se estava tudo bem, deu um sorriso e reclamando de cansada, foi entrando no apartamento. Quando passou por ele, ele pôde notar um enorme arranhado no seu pescoço. Agora ele sentia um ódio duplo. Odiava as duas. E nem sabia, nem fazia idéia que na verdade que o ódio deveria ser em dose tripla porque além delas errarem com ele, erravam entre si mesmas.
Ele (pensando): aonde elas estavam?
A esposa (pensando): aonde ela estará?

A outra (pensando): aonde eles estarão?
Nota 1: há males que vem para o bem. Pior seria se elas fossem irmãs!
Nota 2: quem eles são? Nunca os vi nem os conheci!
Nota 3: minha mente anda muito fértil e eu que estou lendo Maquiavel. Acho que vou cortar na medicação!
Ela caminhava a passos curtos. Lá fora a noite começava e ela não se importava com o atraso. Imaginou que ele estivesse esperando por ela e então ficou aliviada. Prosseguiu andando pela calçada até parar na porta de um shopping. Relutou em entrar, mas acabou por fazê-lo.
Ele levantou do sofá e caminhou até a janela. Lá do alto ele via o trânsito lá embaixo. Enxergava as pessoas como formiguinhas. Não poderia vê-la dali e então tomou uma providência. Foi até o quarto e pegou o binóculo.Voltou até a janela e ficou ali mirando sua visão lá para baixo.
Ela caminhava apressadamente entrando no shopping. Lá dentro havia outra pessoa esperando por ela. Foi subindo pelas escadas rolantes quando lembrou daquele que estava no apartamento a esperá-la. Mas a sua pressa resumia-se a encontrar com outra pessoa.
Agora sim. Agora ele lá do alto de sua varanda, tinha uma visão privilegiada. Decidiu ficar ali esperando por ela, não mais porque queria vê-la, mas para saber de onde ela viria.
Terminou as escadas rolantes e foi caminhando a passos largos quando parou em frente ao cinema. Lá estava a outra. Ficaram uma encarando a outra num olhar sério e compenetrado até que ela começou a caminhar de encontro àquela que aguardava. Quando se aproximou, pegou na mão da que esperava e deu um beijo no rosto.
Ele já espumava de ódio. Preso no apartamento, não fazia idéia de onde ela pudesse estar. Aquilo era uma tremenda falta de respeito, pensou.
Elas começaram a caminhar para o estacionamento em direção a um carro. Perceberam então que começava chuviscar e correram. A outra abriu a porta do carro e elas entraram.
Ele já estava cansado de ficar em pé no parapeito daquela janela observando as pessoas lá embaixo. Queria deitar e dormir e esquecê-la.
Dentro do carro, elas não se falavam. Olharam mais uma vez uma para a outra e começaram a se beijar. Começou suave e logo foi ficando difícil de manter a decência ali, no estacionamento do shopping.
Ele resolveu descer e esperar por ela no térreo.
Depois de quase uma hora, elas saíram do estacionamento do shopping e foram embora. Ela sabia que ele esperava por ela e ela estava bem atrasada, teriam brigas por isso. Ainda deu um último beijo na outra e deixou um arranhado em seu pescoço. Como não queria brigar com ele esta noite, pediu que a outra a deixasse em casa. Não ia mais encontrar com ele por hoje. A dona do carro a deixou em casa. Fez o contorno na pista e minutos depois estava subindo o elevador do seu prédio. Quando a porta se abriu deu de cara com ele.
Ele não teve tempo de disfarçar a surpresa ao vê-la, pois esperava outra. Sua esposa perguntou se estava tudo bem, deu um sorriso e reclamando de cansada, foi entrando no apartamento. Quando passou por ele, ele pôde notar um enorme arranhado no seu pescoço. Agora ele sentia um ódio duplo. Odiava as duas. E nem sabia, nem fazia idéia que na verdade que o ódio deveria ser em dose tripla porque além delas errarem com ele, erravam entre si mesmas.
Ele (pensando): aonde elas estavam?
A esposa (pensando): aonde ela estará?

A outra (pensando): aonde eles estarão?
Nota 1: há males que vem para o bem. Pior seria se elas fossem irmãs!
Nota 2: quem eles são? Nunca os vi nem os conheci!
Nota 3: minha mente anda muito fértil e eu que estou lendo Maquiavel. Acho que vou cortar na medicação!
Segunda-feira, Setembro 25, 2006
Variedade
No post anterior, disse que havia 3 tipos de homens! É claro que a quantidade foi pejorativa com o tema!
Agora eu pergunto: quais os tipos de mulheres?
Ele: toca a campainha.

Elas: ...
Nota: ele aguarda a resposta aqui, nos comentários!
Agora eu pergunto: quais os tipos de mulheres?
Ele: toca a campainha.

Elas: ...
Nota: ele aguarda a resposta aqui, nos comentários!
Sábado, Setembro 23, 2006
ExpliCaçÃO
Na vida há três tipos de homens. Os desinteressados, os atrasados e os esforçados.
Ele (telefonando): amor, estou preso no inferno! Ainda hei de comprar um helicóptero!

Ela (pensando): por que não casei com um inglês?
Ele (telefonando): amor, estou preso no inferno! Ainda hei de comprar um helicóptero!

Ela (pensando): por que não casei com um inglês?
Quarta-feira, Setembro 20, 2006
Dilema
Vem, me puxa, me agarra depressa, vem assim
na cama sou tua, sou de ti, de mais ninguém
meu corpo suado, o ar carregado cheirando a jasmim
vem e me envolve porque me apetece ir ao além
Lá fora no frio a lua enaltece e o tempo esquece
de dar testemunho a saudade perdida
o teu corpo me aquece, me arrefece
e eu aqui, deitada, debochada, enlouquecida
Sou faminta, e te mastigo e te respiro
e me devora, me lambe, me sacia
e eu grito, reluto, arranho-te, suspiro
e me domina, me invade, alimentando a fantasia
Ah, vontade minha, vontade tua
me lambuza, me saliva, me delira, me acalma
nua, na noite iluminada pelo brilho da lua
consome meu corpo, minha mente, minha alma
Sexo!

Dizem que as mulheres preferem chocolate...
Nota da direção deste pasquim: não é fácil escrever no feminino. Espero que minhas leitoras me recompensem. E eu que nem era diabético!
na cama sou tua, sou de ti, de mais ninguém
meu corpo suado, o ar carregado cheirando a jasmim
vem e me envolve porque me apetece ir ao além
Lá fora no frio a lua enaltece e o tempo esquece
de dar testemunho a saudade perdida
o teu corpo me aquece, me arrefece
e eu aqui, deitada, debochada, enlouquecida
Sou faminta, e te mastigo e te respiro
e me devora, me lambe, me sacia
e eu grito, reluto, arranho-te, suspiro
e me domina, me invade, alimentando a fantasia
Ah, vontade minha, vontade tua
me lambuza, me saliva, me delira, me acalma
nua, na noite iluminada pelo brilho da lua
consome meu corpo, minha mente, minha alma
Sexo!

Dizem que as mulheres preferem chocolate...
Nota da direção deste pasquim: não é fácil escrever no feminino. Espero que minhas leitoras me recompensem. E eu que nem era diabético!
Segunda-feira, Setembro 18, 2006
Mundial de Basquete Feminino
A primeira fase acabou classificando as 3 melhores equipes de cada grupo:
Grupo A: Argentina, Brasil, Espanha, Coréia
Grupo B: Austrália, Canadá, Lituânia, Senegal
Grupo C: EUA, Rússia, China, Nigéria
Grupo D: República Tcheca, França, Cuba, Taipé
A segunda fase ficou da seguinte forma, com as 12 melhores divididas em duas chaves, classificando as 4 primeiras de cada grupo:
Grupo E: Austrália, Brasil, Espanha, Lituânia, Argentina, Canadá
Grupo F: EUA, República Tcheca, Rússia, França, Cuba, China
Que venha na quarta feira, França ou República Tcheca! Prefiro a França. Afinal eles nos eliminaram na copa do mundo de futebol, nas quartas de final, e nós fomos campeões contra eles na final da super liga de vôlei! Agora o basquete desempatará!

A sorte está lançada!
Nota: em 14 edições do mundial de basquete feminino, os EUA venceram 7 e a antiga URSS 6. O Brasil foi o único país ser campeão mundial quando o favoritismo não imperou!
Grupo A: Argentina, Brasil, Espanha, Coréia
Grupo B: Austrália, Canadá, Lituânia, Senegal
Grupo C: EUA, Rússia, China, Nigéria
Grupo D: República Tcheca, França, Cuba, Taipé
A segunda fase ficou da seguinte forma, com as 12 melhores divididas em duas chaves, classificando as 4 primeiras de cada grupo:
Grupo E: Austrália, Brasil, Espanha, Lituânia, Argentina, Canadá
Grupo F: EUA, República Tcheca, Rússia, França, Cuba, China
Que venha na quarta feira, França ou República Tcheca! Prefiro a França. Afinal eles nos eliminaram na copa do mundo de futebol, nas quartas de final, e nós fomos campeões contra eles na final da super liga de vôlei! Agora o basquete desempatará!

A sorte está lançada!
Nota: em 14 edições do mundial de basquete feminino, os EUA venceram 7 e a antiga URSS 6. O Brasil foi o único país ser campeão mundial quando o favoritismo não imperou!
Domingo, Setembro 17, 2006
Ditados meus
Na adolescência, tanto a moça quanto o rapaz descobrem o sexo e a política e ambos indelevelmente servem para aumentar ou diminuir a auto estima.
Tudo depende da campanha subir ou não...

Quer tentar mais uma vez?
Tudo depende da campanha subir ou não...

Quer tentar mais uma vez?
Sábado, Setembro 16, 2006
Ama?
Uma das questões mais complexas da humanidade é aquela que trata do amor. Definir o que é o amor vai além das possibilidades humanas porque o amor não é algo concreto. Sim, não o é. Não falo aqui do concreto no sentido estrito da palavra. Na verdade, falo aqui tão somente do concreto no sentido palpável. O amor é como um número. Não se pode tocar. Não se pode vê-lo ou cheirá-lo. Ninguém pode afirmar que viu um número seis andando na rua ou que comeu o amor no almoço. Isso me dá direito a uma questão, remete-me a dúvida de “o que é o amor?”. Não posso arriscar responder tal questão sem me reportar à outra mais contundente, “como se mede um amor?”.
Obviamente que esta questão é suficientemente volátil nas suas variáveis respostas, sim, porque uma vez que vamos medir um amor, devemos saber distingui-lo e isto, remete-me a uma dúvida, “ou não haveria tipos e formas de amar?”.
Sei que as pessoas rotulam os sentimentos por faixas etárias e por ambientes. Através da História o homem sempre quis definir o que sentia baseando-se no outro. A particularidade da questão, por si só já delineava o quão tênue e relativo é o assunto, principalmente em se tratando do ser humano em relação aos sentimentos.
Percebi que amar não retrata uma filosofia de vida. Sim, por que se amamos ou somos amados já muda a questão. Posso amar de uma forma e ser amado de outra. Cabe aqui ressaltar então que o amor nunca é algo singular. Pensando nisso ocorreu-me uma luz, de que, se no âmbito amoroso uma pessoa pode ver diferentes ângulos do amor, isto responde a minha dúvida. Sim, há níveis e formas de amar. Confesso que piora a situação. Piora pelo fato de que fica explícito que medir o amor não é questão de praticidade.
Ao longo dos anos a humanidade bate na mesma tecla. Devemos ser solidários uns com os outros. Devemos amar o nosso irmão como a nós mesmos. Tantas e tantas ideologias, diversos ensinamentos, nada disso pode caracterizar se um indivíduo ama ou não outra pessoa pelo simples fato de pôr em prática tais condutas exemplos de modelos de existência direita.
Sei que ninguém é perfeito e justamente isto me conforta em aceitar que os determinados e variáveis níveis de amor são demasiadamente difíceis de ser calculado e medido. Fosse eu perfeito e soubesse a resposta. Este pensamento refuta a idéia de que nenhum ser humano consegue desvendar este mistério e sendo mistério, deixa de ser uma pergunta e passa a ser algo intransponível à mente humana.
Regresso então à primeira pergunta, “o que é o amor?”. Procurei nos dicionários, em livros variados e autores qualificados para discutir o assunto. Vi o mundo a minha volta, apliquei tal pergunta às mais variadas pessoas. Recoloquei o assunto em discussão nas mais diversas situações e pude perceber que não há sequer dois amores idênticos no mundo todo. Mas não havendo amor igual, não haverá amor real? Sim! Existe de fato sentimentos distintos independentemente de vontade ou satisfação ou ainda interesses. Não confundir com livre arbítrio uma vez que não podemos escolher certos graus em nossas vidas. Há quem se engane acreditando no destino, que de fato não existe. A ilusão refrigera a certeza daqueles que pensam que tudo está escrito. Completo engano. Se existisse o destino, não haveria o livre arbítrio. Ok! Fica mais fácil, por este prisma discutirmos a questão do amor. É fácil palpar a diferença entre destino e livre arbítrio quando comparamos o amar com o querer amar.
Afinal, não se pode pensar que está escrito que iremos amar alguém. Não tenciono dizer que amamos tão somente porque queremos. Mas não podemos jogar a responsabilidade do ciclo da vida em circunstâncias inexplicáveis, nem estava escrito que eles comeriam a maçã. Continua a questão, “o que é o amor?”. Olho para trás e vejo que a vida até aqui foi uma sucessão de escolhas, boas ou más.
Serei eu então fruto daquilo que até agora escolhi? Óbvio que sim e isto me dá impulso para tentar sempre melhorar porque melhorando minhas escolhas diminuo o risco de maus resultados futuramente. É isso, vou me concentrar naquilo que está na minha frente para que a estatística jogue ao meu favor.
Agora que sei como proceder, poderei maximizar as chances de ser feliz, pois, quando me baseio em decisões satisfatórias mudo aqueles que estão à minha volta, e assim posso ter a plena convicção de que estou contribuindo para que meu curso seja o mais benéfico a mim e aos outros. Perfeito! Vivendo melhor, vivo mais? Errado. Mas é aí que está o segredo da convivência sóbria. Se por um lado corro o risco de errar mesmo tendo a receita, por outro lado sei que o esforço já me recompensará amanhã.
Preocupar-se com o futuro é o caminho então? O amor está lá? Claro que não. O amor não está em lugar algum. Ele nem é designado para existir. Maravilhoso. Sim, porque se ele não é independente, só pode ser viável se estivermos capacitados para senti-lo. Aproximo-me da questão, “o que é o amor?”. Sou culpado quando ele existe? Não. Mas ele não existe sem mim. Chego então ao ápice da pergunta inicial uma vez que fica evidente que não poderei respondê-la, ou antes, eu fosse ele próprio. Impossível. Ninguém é o amor. É isto! O amor não é. Coisa ou pessoa. Pode ser exprimido através de atos ou comportamentos embora nem isto o qualifique como algo notório e predicativo. Vou imaginar que o amor é algo como se não existisse. Existe sim, mas é como se não existisse particularmente ou literalmente. Algo como se fosse o além ou o paraíso.
Sabemos que existe e tem nexo, mas não podemos imaginá-lo como o é.

O caminho mais curto fosse a fé, mas este assunto cheira-me muito mais complexo.
Obviamente que esta questão é suficientemente volátil nas suas variáveis respostas, sim, porque uma vez que vamos medir um amor, devemos saber distingui-lo e isto, remete-me a uma dúvida, “ou não haveria tipos e formas de amar?”.
Sei que as pessoas rotulam os sentimentos por faixas etárias e por ambientes. Através da História o homem sempre quis definir o que sentia baseando-se no outro. A particularidade da questão, por si só já delineava o quão tênue e relativo é o assunto, principalmente em se tratando do ser humano em relação aos sentimentos.
Percebi que amar não retrata uma filosofia de vida. Sim, por que se amamos ou somos amados já muda a questão. Posso amar de uma forma e ser amado de outra. Cabe aqui ressaltar então que o amor nunca é algo singular. Pensando nisso ocorreu-me uma luz, de que, se no âmbito amoroso uma pessoa pode ver diferentes ângulos do amor, isto responde a minha dúvida. Sim, há níveis e formas de amar. Confesso que piora a situação. Piora pelo fato de que fica explícito que medir o amor não é questão de praticidade.
Ao longo dos anos a humanidade bate na mesma tecla. Devemos ser solidários uns com os outros. Devemos amar o nosso irmão como a nós mesmos. Tantas e tantas ideologias, diversos ensinamentos, nada disso pode caracterizar se um indivíduo ama ou não outra pessoa pelo simples fato de pôr em prática tais condutas exemplos de modelos de existência direita.
Sei que ninguém é perfeito e justamente isto me conforta em aceitar que os determinados e variáveis níveis de amor são demasiadamente difíceis de ser calculado e medido. Fosse eu perfeito e soubesse a resposta. Este pensamento refuta a idéia de que nenhum ser humano consegue desvendar este mistério e sendo mistério, deixa de ser uma pergunta e passa a ser algo intransponível à mente humana.
Regresso então à primeira pergunta, “o que é o amor?”. Procurei nos dicionários, em livros variados e autores qualificados para discutir o assunto. Vi o mundo a minha volta, apliquei tal pergunta às mais variadas pessoas. Recoloquei o assunto em discussão nas mais diversas situações e pude perceber que não há sequer dois amores idênticos no mundo todo. Mas não havendo amor igual, não haverá amor real? Sim! Existe de fato sentimentos distintos independentemente de vontade ou satisfação ou ainda interesses. Não confundir com livre arbítrio uma vez que não podemos escolher certos graus em nossas vidas. Há quem se engane acreditando no destino, que de fato não existe. A ilusão refrigera a certeza daqueles que pensam que tudo está escrito. Completo engano. Se existisse o destino, não haveria o livre arbítrio. Ok! Fica mais fácil, por este prisma discutirmos a questão do amor. É fácil palpar a diferença entre destino e livre arbítrio quando comparamos o amar com o querer amar.
Afinal, não se pode pensar que está escrito que iremos amar alguém. Não tenciono dizer que amamos tão somente porque queremos. Mas não podemos jogar a responsabilidade do ciclo da vida em circunstâncias inexplicáveis, nem estava escrito que eles comeriam a maçã. Continua a questão, “o que é o amor?”. Olho para trás e vejo que a vida até aqui foi uma sucessão de escolhas, boas ou más.
Serei eu então fruto daquilo que até agora escolhi? Óbvio que sim e isto me dá impulso para tentar sempre melhorar porque melhorando minhas escolhas diminuo o risco de maus resultados futuramente. É isso, vou me concentrar naquilo que está na minha frente para que a estatística jogue ao meu favor.
Agora que sei como proceder, poderei maximizar as chances de ser feliz, pois, quando me baseio em decisões satisfatórias mudo aqueles que estão à minha volta, e assim posso ter a plena convicção de que estou contribuindo para que meu curso seja o mais benéfico a mim e aos outros. Perfeito! Vivendo melhor, vivo mais? Errado. Mas é aí que está o segredo da convivência sóbria. Se por um lado corro o risco de errar mesmo tendo a receita, por outro lado sei que o esforço já me recompensará amanhã.
Preocupar-se com o futuro é o caminho então? O amor está lá? Claro que não. O amor não está em lugar algum. Ele nem é designado para existir. Maravilhoso. Sim, porque se ele não é independente, só pode ser viável se estivermos capacitados para senti-lo. Aproximo-me da questão, “o que é o amor?”. Sou culpado quando ele existe? Não. Mas ele não existe sem mim. Chego então ao ápice da pergunta inicial uma vez que fica evidente que não poderei respondê-la, ou antes, eu fosse ele próprio. Impossível. Ninguém é o amor. É isto! O amor não é. Coisa ou pessoa. Pode ser exprimido através de atos ou comportamentos embora nem isto o qualifique como algo notório e predicativo. Vou imaginar que o amor é algo como se não existisse. Existe sim, mas é como se não existisse particularmente ou literalmente. Algo como se fosse o além ou o paraíso.
Sabemos que existe e tem nexo, mas não podemos imaginá-lo como o é.

O caminho mais curto fosse a fé, mas este assunto cheira-me muito mais complexo.
Quinta-feira, Setembro 14, 2006
Lascívia
Nas cidades das luzes brilhantes
é meu desejo, meu ímpeto, meu ensejo
tu te fazes mansa, o teu beijo me alcança
nada é para sempre, nada é como antes
Minha urgência imediata, meu corpo ensandecido
és tu em mim, vem depressa, vem assim
no silêncio da inocência ou da indecência
teu corpo quente, frio, suado, estarrecido
Percorro minha mão delineando tua alma
tua língua me percorre, tua saliva me envolve
teu olhar me prende, me acende, me surpreende
teu ritmo me contagia, me sufoca, me acalma
A ousadia do teu ventre me seduz intensamente
e eu te beijo, te agarro, assino meu desejo
no gozo dos corpos cansados, molhados nos amamos
eu em ti, tu em mim, retratando o desejo ardente, querente.
Thiago, esqueça as rimas. Aqui quem dita o tom sou eu!

Rachel Bilson
é meu desejo, meu ímpeto, meu ensejo
tu te fazes mansa, o teu beijo me alcança
nada é para sempre, nada é como antes
Minha urgência imediata, meu corpo ensandecido
és tu em mim, vem depressa, vem assim
no silêncio da inocência ou da indecência
teu corpo quente, frio, suado, estarrecido
Percorro minha mão delineando tua alma
tua língua me percorre, tua saliva me envolve
teu olhar me prende, me acende, me surpreende
teu ritmo me contagia, me sufoca, me acalma
A ousadia do teu ventre me seduz intensamente
e eu te beijo, te agarro, assino meu desejo
no gozo dos corpos cansados, molhados nos amamos
eu em ti, tu em mim, retratando o desejo ardente, querente.
Thiago, esqueça as rimas. Aqui quem dita o tom sou eu!

Rachel Bilson
Quarta-feira, Setembro 13, 2006
Honra
O local estava lotado. A algazarra provocada era ensurdecedora. Ele estava lá no centro. Por todos os lados, as pessoas gritavam. Algumas sentadas, outras em pé. O sol forte castigava os espectadores.
De repente a porta central se abre e seu oponente aparece numa carruagem guiada por dois cavalos brancos. Em meio aos aplausos ele desce e vai de encontro ao outro, caminhando lentamente. Então ele se aproxima ao pé do ouvido e covardemente atinge seu oponente pelas costas, disfarçadamente, pois seus soldados ocultavam a visão da cena de forma que o público não percebia o golpe covarde, antes mesmo do início da luta.
O atingido, cambaleante, rodopia sobre o chão batido enquanto vê os soldados se afastarem. O suor na sua face era fruto da dor. O público vaiava o ferido e o seu oponente ria sarcasticamente da situação cômoda em que se encontrava. Tentando tirar o máximo de proveito, ele corre de encontro ao outro desferindo um golpe que o primeiro esquiva-se de forma desequilibrada, caindo com uma mão na terra e a outra no ferimento. A multidão vai ao delírio com a queda e em meio a assobios e aplausos, começa a incentivar ainda mais aquele que tinha a vitória nas mãos.
Ainda caído, ele olha de relance para o povo e consegue localizá-la. No rosto, ela deixava transparecer a sua preferência. Ela sentia que algo estava errado lá dentro da arena. Estava encarando para ela quando levou um chute na face que o fez desabar de costas. Mais uma vez o povo gritava e torcia, para aquele que ganhava através de meios escusos.
Levou outro chute, na altura da virilha que o fez gemer baixinho. E então desmaiou. Ele foi pisado nas costas uma vez, outra, outra, mais outra e outra vez. Assistindo tudo de longe, ela rezava em silêncio. Mergulhado no delírio do desmaio, ele se imaginava num campo de girassóis, caminhando livremente de encontro a ela. Quando a distância diminuía, a velocidade dos passos aumentava até que os corpos se encontraram. Entre abraços e carícias, caíram no solo tingido de outono. Estava deitado por cima dela, entreolhando-se quando ela passou a mão no rosto dele. Agora ela ia abrindo um sorriso quando um casal de araras azuis sobrevoava os girassóis em algazarra interrompendo o beijo. E então ele acordou.
O barulho das araras era imaginário e fora substituído pela gargalhada do seu algoz. Então ele percebeu que por alguns segundos havia desmaiado e se perdido na imaginação. Preparando-se para levantar, olhou para a platéia procurando por ela. Pondo-se de pé, firmou-se na terra batida e esperou o próximo ataque de seu adversário. Este veio correndo, segurando firme a espada. Ele permanecia imóvel, com os braços abaixados, como se não quisesse lutar.
O outro se aproximava cada vez mais, a tensão ia crescendo na arena e no povo que torcia. Ela rezava baixinho, chorando e então, apertou fortemente o pingente com suas mãos. Mirava estática a situação que se desenrolava.
Foi então que ele puxou seu escudo das costas e apontou em diagonal para o céu, refletindo a luz solar na face de seu inimigo fazendo com que este baixasse a guarda e escorregasse meio metro para a lateral. Isto foi suficiente para ele o acertar, na altura da virilha. O metal entrou na carne e os dois se abraçaram. Bem próximos agora, eles olhavam-se sem pronunciar palavra alguma. O sol que era castigo tinha se transformado em solução. O covarde começou a sentir sua visão distorcida e foi relaxando o corpo. Estava morrendo aos poucos.
Ele então começou a retirar o metal do corpo do malvado que caiu de joelhos e por fim, partiu para a eternidade. A população assistia tudo atônita e preparava para aplaudir o vencedor, quando este levantou a mão e pediu silêncio. Foi se arrastando, caminhando com a mão no ferimento provocado pelo ato covarde do malvado. Ninguém entendia aquilo que ele pretendia fazer. Mas ele seguia para uma determinada direção. Aos poucos o povo foi direcionando o olhar para a mulher que estava de pé e ainda rezava baixinho.
Então perceberam que ela era o alvo dele. E com muito sacrifício, ele chegou perto da guarita. Ficou olhando para ela, mudo. Ela arrancou o cordão do pescoço e foi descendo os degraus, ao encontro dele. A cerca alta impedia o contato. Não podiam se tocar de forma alguma. Isso a enlouqueceu e ela começou a gritar, desesperada, tentava arranjar uma forma de entrar na arena, mas as portas estavam fechadas. As pessoas mais próximas tentavam arrombar as portas na intenção de ajudá-la. Estava descontrolada, pois sabia que ele estava partindo. Estava padecendo ali, na frente dela e ela nada podia fazer. A cerca era demasiadamente alta e ela sangrava as mãos tentando escalar, queria pelo menos o tocar pela última vez. Mas ele já não agüentava tanto ficar de pé, estava suando mais e engolindo seco e o ferimento não parava de sangrar apesar de ser sutil.
As portas não cediam e ela não conseguia escalar a cerca alta. Soluçava de tanto chorar, gritando o nome dele. Foi ficando rouca e seu sofrimento e desespero mobilizou a todos à sua volta. Ela corria para a direita e para a esquerda. Foi quando ele sentou no chão. Ao ver a cena, ela teve outro ataque de nervos. Não queria vê-lo partir assim. Era o pior dia da vida dela. E então ele arriscou umas palavras. Ela não percebeu e prosseguiu aos gritos, rogando praga aos deuses no seu delírio, e ele balbuciou que não sentia mais a dor e sorriu lentamente. Depois disto, foi deitando na terra batida. Ela olhou para o céu e num gesto de ira, blasfemou e jogou o cordão com o pingente para o alto. Nesse momento, passava um casal de araras sobrevoando o local e por milagre, ou resposta de Deus, o cordão resvalou na asa da arara fêmea e o movimento fez com que ela voasse mais alto e pousasse em cima da cerca. E então, sutilmente o peso do pingente fez com que o cordão deslizasse e caísse do outro lado, bem em cima do corpo dele que já estava estirado.
A outra arara, o macho, pousou ao lado dele e ficou ali. Ela, perturbada com aquilo, deu meia volta e deu a subir os degraus. Foi pedindo licença a população que abria caminho por entre as cadeiras. E então ela pegou impulso e saltou por cima dos assentos, agarrando na cerca com toda sua força feminina. A arara fêmea acompanhava do alto da cerca e ela foi escalando, sem vacilar, sem olhar para baixo, até chegar no limite.
Sua missão agora era passar as pernas para o outro lado e pretendia fazê-lo depressa, pois ele já não conseguia manter os olhos abertos. Sua pressa desmedida fez com que ela declinasse atravessando o corpo de forma precipitada e errada. Sua perna esbarrou nas pontas e então ela sentiu um arrepio e a temperatura de seu corpo caiu drasticamente fazendo com que teu corpo balançasse e aumentasse o perigo da queda. Então ela foi ficando fraca e lenta. Mas não se entregou. Foi descendo cautelosamente, chamando o nome dele. E quando estava a meia altura, teve outro ataque de histeria, provocado pela dor e pelo desespero de perdê-lo e então caiu. Na queda o seu suplício aumentou. Foi se arrastando até que conseguiu tocá-lo e pegar o pingente. Agora finalmente estavam ali, os dois, abraçados. Ele então fez força para abraçá-la e então percebeu que ela o evitou. Mas ele já tinha notado o ferimento profundo que a cerca havia causado na perna ao passar por cima das pontas. O corte profundo estava quente e molhava a sua calça.
Ela estava envergonhada por estar naquela situação. Mas ela sabia que morreria ali, com ele, e apesar de ter blasfemado e de não ter tido muita ajuda dos outros, ela sabia que tinha conseguido o que queria, tocá-lo. Estavam partindo, estavam morrendo, mas estavam juntos, os quatro. Eles e as araras.
Nota do autor: foi um dos texto que mais gostei de escrever até hoje. Não quis uma imagem porque quem lê-lo saberá imaginar.
Acompanhar o texto com este pensamento: força, sabedoria, firmeza e temperança. Eis os quatro ingredientes para se viver.
De repente a porta central se abre e seu oponente aparece numa carruagem guiada por dois cavalos brancos. Em meio aos aplausos ele desce e vai de encontro ao outro, caminhando lentamente. Então ele se aproxima ao pé do ouvido e covardemente atinge seu oponente pelas costas, disfarçadamente, pois seus soldados ocultavam a visão da cena de forma que o público não percebia o golpe covarde, antes mesmo do início da luta.
O atingido, cambaleante, rodopia sobre o chão batido enquanto vê os soldados se afastarem. O suor na sua face era fruto da dor. O público vaiava o ferido e o seu oponente ria sarcasticamente da situação cômoda em que se encontrava. Tentando tirar o máximo de proveito, ele corre de encontro ao outro desferindo um golpe que o primeiro esquiva-se de forma desequilibrada, caindo com uma mão na terra e a outra no ferimento. A multidão vai ao delírio com a queda e em meio a assobios e aplausos, começa a incentivar ainda mais aquele que tinha a vitória nas mãos.
Ainda caído, ele olha de relance para o povo e consegue localizá-la. No rosto, ela deixava transparecer a sua preferência. Ela sentia que algo estava errado lá dentro da arena. Estava encarando para ela quando levou um chute na face que o fez desabar de costas. Mais uma vez o povo gritava e torcia, para aquele que ganhava através de meios escusos.
Levou outro chute, na altura da virilha que o fez gemer baixinho. E então desmaiou. Ele foi pisado nas costas uma vez, outra, outra, mais outra e outra vez. Assistindo tudo de longe, ela rezava em silêncio. Mergulhado no delírio do desmaio, ele se imaginava num campo de girassóis, caminhando livremente de encontro a ela. Quando a distância diminuía, a velocidade dos passos aumentava até que os corpos se encontraram. Entre abraços e carícias, caíram no solo tingido de outono. Estava deitado por cima dela, entreolhando-se quando ela passou a mão no rosto dele. Agora ela ia abrindo um sorriso quando um casal de araras azuis sobrevoava os girassóis em algazarra interrompendo o beijo. E então ele acordou.
O barulho das araras era imaginário e fora substituído pela gargalhada do seu algoz. Então ele percebeu que por alguns segundos havia desmaiado e se perdido na imaginação. Preparando-se para levantar, olhou para a platéia procurando por ela. Pondo-se de pé, firmou-se na terra batida e esperou o próximo ataque de seu adversário. Este veio correndo, segurando firme a espada. Ele permanecia imóvel, com os braços abaixados, como se não quisesse lutar.
O outro se aproximava cada vez mais, a tensão ia crescendo na arena e no povo que torcia. Ela rezava baixinho, chorando e então, apertou fortemente o pingente com suas mãos. Mirava estática a situação que se desenrolava.
Foi então que ele puxou seu escudo das costas e apontou em diagonal para o céu, refletindo a luz solar na face de seu inimigo fazendo com que este baixasse a guarda e escorregasse meio metro para a lateral. Isto foi suficiente para ele o acertar, na altura da virilha. O metal entrou na carne e os dois se abraçaram. Bem próximos agora, eles olhavam-se sem pronunciar palavra alguma. O sol que era castigo tinha se transformado em solução. O covarde começou a sentir sua visão distorcida e foi relaxando o corpo. Estava morrendo aos poucos.
Ele então começou a retirar o metal do corpo do malvado que caiu de joelhos e por fim, partiu para a eternidade. A população assistia tudo atônita e preparava para aplaudir o vencedor, quando este levantou a mão e pediu silêncio. Foi se arrastando, caminhando com a mão no ferimento provocado pelo ato covarde do malvado. Ninguém entendia aquilo que ele pretendia fazer. Mas ele seguia para uma determinada direção. Aos poucos o povo foi direcionando o olhar para a mulher que estava de pé e ainda rezava baixinho.
Então perceberam que ela era o alvo dele. E com muito sacrifício, ele chegou perto da guarita. Ficou olhando para ela, mudo. Ela arrancou o cordão do pescoço e foi descendo os degraus, ao encontro dele. A cerca alta impedia o contato. Não podiam se tocar de forma alguma. Isso a enlouqueceu e ela começou a gritar, desesperada, tentava arranjar uma forma de entrar na arena, mas as portas estavam fechadas. As pessoas mais próximas tentavam arrombar as portas na intenção de ajudá-la. Estava descontrolada, pois sabia que ele estava partindo. Estava padecendo ali, na frente dela e ela nada podia fazer. A cerca era demasiadamente alta e ela sangrava as mãos tentando escalar, queria pelo menos o tocar pela última vez. Mas ele já não agüentava tanto ficar de pé, estava suando mais e engolindo seco e o ferimento não parava de sangrar apesar de ser sutil.
As portas não cediam e ela não conseguia escalar a cerca alta. Soluçava de tanto chorar, gritando o nome dele. Foi ficando rouca e seu sofrimento e desespero mobilizou a todos à sua volta. Ela corria para a direita e para a esquerda. Foi quando ele sentou no chão. Ao ver a cena, ela teve outro ataque de nervos. Não queria vê-lo partir assim. Era o pior dia da vida dela. E então ele arriscou umas palavras. Ela não percebeu e prosseguiu aos gritos, rogando praga aos deuses no seu delírio, e ele balbuciou que não sentia mais a dor e sorriu lentamente. Depois disto, foi deitando na terra batida. Ela olhou para o céu e num gesto de ira, blasfemou e jogou o cordão com o pingente para o alto. Nesse momento, passava um casal de araras sobrevoando o local e por milagre, ou resposta de Deus, o cordão resvalou na asa da arara fêmea e o movimento fez com que ela voasse mais alto e pousasse em cima da cerca. E então, sutilmente o peso do pingente fez com que o cordão deslizasse e caísse do outro lado, bem em cima do corpo dele que já estava estirado.
A outra arara, o macho, pousou ao lado dele e ficou ali. Ela, perturbada com aquilo, deu meia volta e deu a subir os degraus. Foi pedindo licença a população que abria caminho por entre as cadeiras. E então ela pegou impulso e saltou por cima dos assentos, agarrando na cerca com toda sua força feminina. A arara fêmea acompanhava do alto da cerca e ela foi escalando, sem vacilar, sem olhar para baixo, até chegar no limite.
Sua missão agora era passar as pernas para o outro lado e pretendia fazê-lo depressa, pois ele já não conseguia manter os olhos abertos. Sua pressa desmedida fez com que ela declinasse atravessando o corpo de forma precipitada e errada. Sua perna esbarrou nas pontas e então ela sentiu um arrepio e a temperatura de seu corpo caiu drasticamente fazendo com que teu corpo balançasse e aumentasse o perigo da queda. Então ela foi ficando fraca e lenta. Mas não se entregou. Foi descendo cautelosamente, chamando o nome dele. E quando estava a meia altura, teve outro ataque de histeria, provocado pela dor e pelo desespero de perdê-lo e então caiu. Na queda o seu suplício aumentou. Foi se arrastando até que conseguiu tocá-lo e pegar o pingente. Agora finalmente estavam ali, os dois, abraçados. Ele então fez força para abraçá-la e então percebeu que ela o evitou. Mas ele já tinha notado o ferimento profundo que a cerca havia causado na perna ao passar por cima das pontas. O corte profundo estava quente e molhava a sua calça.
Ela estava envergonhada por estar naquela situação. Mas ela sabia que morreria ali, com ele, e apesar de ter blasfemado e de não ter tido muita ajuda dos outros, ela sabia que tinha conseguido o que queria, tocá-lo. Estavam partindo, estavam morrendo, mas estavam juntos, os quatro. Eles e as araras.
Nota do autor: foi um dos texto que mais gostei de escrever até hoje. Não quis uma imagem porque quem lê-lo saberá imaginar.
Acompanhar o texto com este pensamento: força, sabedoria, firmeza e temperança. Eis os quatro ingredientes para se viver.
Terça-feira, Setembro 12, 2006
Inocência
Senhoras e senhores, apresento-vos George W Bush anos atrás: a primeira palavra pronunciada não seria papai ou mamãe!

Guerra! Hahahahahaha
Nota: não importa se você for o mais burro da sua sala. Vou repetir, não importa se você for o mais burro da sua sala, qualquer um poderá ser um dia o presidente.

Guerra! Hahahahahaha
Nota: não importa se você for o mais burro da sua sala. Vou repetir, não importa se você for o mais burro da sua sala, qualquer um poderá ser um dia o presidente.
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
Data
11 de Setembro...
A história é construída através dos tempos. Ao homem, cabe a ação. Ao tempo, cabe a cura.
A história é construída através dos tempos. Ao homem, cabe a ação. Ao tempo, cabe a cura.
Domingo, Setembro 10, 2006
Confronto
Tudo denunciava que a noite tinha sido um fracasso. O aborrecimento estampado ditava a nítida impressão de que não havia mais chance de se recuperar, afinal faltavam minutos para sairmos da noite e entrarmos na madrugada. Mas é aí que tudo muda. Em passos largos, e tomada pelo desânimo ela ouve a voz. Vira-se depressa e então percebe que às vezes o casual dar o ar da graça.
Ele se aproxima sem segundas intenções. Definitivamente não pensava nisso. O tempo era escasso e a situação não pedia algo além de uma formalidade. Olharam olho no olho enquanto o diálogo ia transcorrendo. Encontraram-se por acaso e isso ajudava a enaltecer o aspecto da timidez misturada às incertezas. Pessoas o esperavam ali próximo, portanto, não podia demorar. Sim, queria, mas não podia. Ela por outro lado, não era esperada, mas estava acompanhada por outra que também demonstrava inquietude quanto à noite desperdiçada.
A diferença resumia-se a isto. A madrugada dele começava enquanto que para elas a noite havia terminado. E nesse encontro súbito, puderam por alguns segundos e depois de uma troca de meia dúzia de palavras, encararem-se. O olhar dela era absorto, o dele, fixo. Não passou de cinco segundos, mas foi direto.
Então se despediram juntamente com a noite que ia cedendo espaço à madrugada.
Ele (pensando): algumas sensações são inexplicáveis...

Ela (pensando): agora posso dormir tranqüila...
Nota: como é bom sentirmos que certos acontecimentos nos causam tanto furor. De repente percebemos que tudo muda. Quando menos esperamos vem a surpresa. É como se cada dia fosse uma incógnita e de fato, é. Por que se somos responsáveis pelo nosso destino ao traçarmos e trilharmos nossos caminhos, somos responsáveis mais ainda por sabermos lidar com tais surpresas. Dizem que o segredo da vida é saber viver, eles por sinal, estão no caminho certo.
Acompanhar a foto com esta história:
Ele: vou lhe contar um segredo...
Ela: só um?
Ele: o importante não é a quantidade... e aqui no nosso caso, nem a qualidade... mas sim a intensidade!
Ela: depois disto acho que posso voltar a sorrir. E os adultos dizem que a vida é complicada. Ai de mim que não os entendo!
Ele se aproxima sem segundas intenções. Definitivamente não pensava nisso. O tempo era escasso e a situação não pedia algo além de uma formalidade. Olharam olho no olho enquanto o diálogo ia transcorrendo. Encontraram-se por acaso e isso ajudava a enaltecer o aspecto da timidez misturada às incertezas. Pessoas o esperavam ali próximo, portanto, não podia demorar. Sim, queria, mas não podia. Ela por outro lado, não era esperada, mas estava acompanhada por outra que também demonstrava inquietude quanto à noite desperdiçada.
A diferença resumia-se a isto. A madrugada dele começava enquanto que para elas a noite havia terminado. E nesse encontro súbito, puderam por alguns segundos e depois de uma troca de meia dúzia de palavras, encararem-se. O olhar dela era absorto, o dele, fixo. Não passou de cinco segundos, mas foi direto.
Então se despediram juntamente com a noite que ia cedendo espaço à madrugada.
Ele (pensando): algumas sensações são inexplicáveis...

Ela (pensando): agora posso dormir tranqüila...
Nota: como é bom sentirmos que certos acontecimentos nos causam tanto furor. De repente percebemos que tudo muda. Quando menos esperamos vem a surpresa. É como se cada dia fosse uma incógnita e de fato, é. Por que se somos responsáveis pelo nosso destino ao traçarmos e trilharmos nossos caminhos, somos responsáveis mais ainda por sabermos lidar com tais surpresas. Dizem que o segredo da vida é saber viver, eles por sinal, estão no caminho certo.
Acompanhar a foto com esta história:
Ele: vou lhe contar um segredo...
Ela: só um?
Ele: o importante não é a quantidade... e aqui no nosso caso, nem a qualidade... mas sim a intensidade!
Ela: depois disto acho que posso voltar a sorrir. E os adultos dizem que a vida é complicada. Ai de mim que não os entendo!
Sábado, Setembro 09, 2006
Surpreendidos surpreendentemente
Chegou com um cansaço, jogou a bolsa sobre a cama e descalçando os sapatos, foi tomar a ducha tão desejada. O relógio acusava que a madrugada estava na metade. Despiu-se e sentiu um calafrio ao pisar no azulejo gelado. Devagar, foi abrindo o chuveiro até sentir a água quente banhar seu corpo. O sorriso no canto da boca era pelo prazer do calor, mas ainda havia outro motivo. A noite tinha sido diferente. Fechou os olhos e ficou embaixo d’água pensando, lembrando, entregue à sua própria imaginação. Não se dava conta que o banheiro estava tomado pela fumaça da água quente. Meia hora depois, terminou o banho. Enxugou-se e parou em frente ao espelho. Estava completamente embaçado. Aproveitou e com o dedo desenhou o nome que ocupava sua mente. Vestiu-se e foi à copa preparar um café. Não sentia sono. Vestiu sua roupa de dormir e resolveu ficar na sala, à meia luz, olhando pela janela enquanto repensava o capítulo que tinha acabado de se concretizar na hora em que a madrugada nascia.
Eu particularmente adoro surpresas agradáveis, principalmente quando não as espero...

Como é bom ficar sozinha relembrando, como é boa a sensação que nos traz esse olhar...
Acompanhar a foto com esta história:
Ele: a culpa não foi minha...
Ela: a culpa não foi minha...
Ambos: a culpa não é nossa...
Os outros: (...)
Nota: a fala dos outros é insignificante e o falatório tende ao infinito!
Eu particularmente adoro surpresas agradáveis, principalmente quando não as espero...

Como é bom ficar sozinha relembrando, como é boa a sensação que nos traz esse olhar...
Acompanhar a foto com esta história:
Ele: a culpa não foi minha...
Ela: a culpa não foi minha...
Ambos: a culpa não é nossa...
Os outros: (...)
Nota: a fala dos outros é insignificante e o falatório tende ao infinito!
Sexta-feira, Setembro 08, 2006
7 de Setembro
O Brasil é Independente?
Deveríamos perguntar aos nossos políticos... quem quiser a resposta basta ligar para o local abaixo e falar com algum dos...

Palhaços do Planalto
Deveríamos perguntar aos nossos políticos... quem quiser a resposta basta ligar para o local abaixo e falar com algum dos...

Palhaços do Planalto
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
Conversas de MSN
Eu e uma grande amiga conversávamos no messenger quando a conversa encaminha para o futebol, a paixão nacional:
Eu: o São Paulo é o time mais estruturado do Brasil.
Ela: grande coisa, eu sou flamenguista e pronto!
Eu: o meu time, São Paulo é o atual líder do nacional...
Ela: eu não vejo muito futebol mesmo.
Eu: o meu time é o atual campeão do mundo...
Ela: (dando de ombros) sorte a sua que eu não entendo muito de futebol...
Eu: (pensando – “deve ser por isso que torce para o flamengo...”) Hahahahaha
Ela: eu prefiro o flamengo.
Eu: ...
Ela: eu não gosto de futebol mesmo.
Eu: (risos) nem eu Kátia, nem eu...
Ela: imagina se gostasse hein?!
Eu: não gosto de futebol. Prefiro as peladas(i) de fim de semana...
musa do São Paulo no primeiro turno!

Daiane Amêndola
(i) Nome ou termo, dado ao futebol de fim de semana com os amigos...
Nota da direção deste pasquim: o campeonato brasileiro possui 20 equipes. Cada equipe tem a sua musa. Os internautas do Brasil todo votaram numa pesquisa em que a cada partida de futebol, as musas dos respectivos times, se enfrentavam na internet e a que obtivesse maior votação, ganhava o duelo. Ao fim do primeiro turno, a musa do Flamengo (Robertha Portella) ficou com o primeiro lugar. Agora teremos o segundo turno com novas musas disputando o título. Quem vencer o segundo turno vai enfrentar a Flamenguista na grande final, em Dezembro. Eu acho que se o São Paulo não ganhou no primeiro turno, agora que não ganha mesmo, porque a musa São Paulina do segundo turno “não joga tão bem” quanto a musa São Paulina do primeiro turno... e por questão de curiosidade, deixo aqui as minhas prediletas, a musa do Fluminense no segundo turno, Rafaela Guarany e a musa do Cruzeiro no segundo turno, Giovanna Cursino.
Eu: o São Paulo é o time mais estruturado do Brasil.
Ela: grande coisa, eu sou flamenguista e pronto!
Eu: o meu time, São Paulo é o atual líder do nacional...
Ela: eu não vejo muito futebol mesmo.
Eu: o meu time é o atual campeão do mundo...
Ela: (dando de ombros) sorte a sua que eu não entendo muito de futebol...
Eu: (pensando – “deve ser por isso que torce para o flamengo...”) Hahahahaha
Ela: eu prefiro o flamengo.
Eu: ...
Ela: eu não gosto de futebol mesmo.
Eu: (risos) nem eu Kátia, nem eu...
Ela: imagina se gostasse hein?!
Eu: não gosto de futebol. Prefiro as peladas(i) de fim de semana...
musa do São Paulo no primeiro turno!

Daiane Amêndola
(i) Nome ou termo, dado ao futebol de fim de semana com os amigos...
Nota da direção deste pasquim: o campeonato brasileiro possui 20 equipes. Cada equipe tem a sua musa. Os internautas do Brasil todo votaram numa pesquisa em que a cada partida de futebol, as musas dos respectivos times, se enfrentavam na internet e a que obtivesse maior votação, ganhava o duelo. Ao fim do primeiro turno, a musa do Flamengo (Robertha Portella) ficou com o primeiro lugar. Agora teremos o segundo turno com novas musas disputando o título. Quem vencer o segundo turno vai enfrentar a Flamenguista na grande final, em Dezembro. Eu acho que se o São Paulo não ganhou no primeiro turno, agora que não ganha mesmo, porque a musa São Paulina do segundo turno “não joga tão bem” quanto a musa São Paulina do primeiro turno... e por questão de curiosidade, deixo aqui as minhas prediletas, a musa do Fluminense no segundo turno, Rafaela Guarany e a musa do Cruzeiro no segundo turno, Giovanna Cursino.