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quinta-feira, janeiro 04, 2007

Importante por opção

Era uma vez a verdade. Em forma de realidade preenchida por características de seriedade e recheada com insanidade. Pura maldade. Fui refazendo e reinventando a arte. A platéia ria e sentia o drama da vida surreal em forma de mentira, mas com toda naturalidade. Comédias, suspenses, terrores, dores, amores, tragédias. Não era fácil enganar, fingir, dissimular, encantar, maltratar. Decorações, exclamações, interrogações. Paixões. Encenado e reconduzido, cada cena, cada aplauso adquirido. A cena, o palco, a multidão, o ibope, o resultado, o apelo do sim, o medo do não. Quanto risco. Mas insisto, reluto, reconstruo, ignoro a crítica, desprezo a inveja. A mística da fama, do sucesso, do altruísmo. No meio disso havia tanto egoísmo, egocentrismo. Esquece tudo, a conseqüência de errar era recomeçar. Fui valorizando, edificando depois de ir remontando. A minha paciência. Perdi o caráter. Roubei, matei, enganei, menti. Odiei a ti. Traí! Fugi da polícia. Sobrevivi. Fui mocinho, fui covarde, fui cego, fui herói. Apanhar não dói. Fiquei solitário. Imaginário e contrário. Torpor. Perdi um amor. Enganei a mocinha com a vizinha. Fui político, fui de tudo. Menos escritor. Nunca escrevi porque era analfabeto. Só sabia ler. Meu sonho era viver. Quando durmo, sonho, quando acordo, vivo. Vida sedentária, vida seca, amarga. Falta-me a objetividade para atuar. Não consigo recriar. Tenho a luz, a cortina, a conexão, o vigor, a inquietação. Cadê a imaginação? Tenho sim, tenho não. Não sei o que é anáfora, não senhor! Aqui faz calor. Embaixo dessa fantasia, desse roupão, perco-me na maquiagem, da arte, da vida. Pelo pão. Pela sobrevivência sofrida, enriquecida, sentida ou distraída. Vida deprimida. Vida de luxúria. Anáfora? Metáfora! Sou um bicho, sou extraterrestre. Vida urbana, vida campestre. Anjos terrestres. Anjos celestes. Fui de tudo isso um pouco. Menos escritor, o resto, tudo fui. Mas onde está a verdade? Vou dizer com sinceridade, sou famoso, sou falado, sou citado, sou declamado, sou aplaudido, sou paixão, sou dor, sou raiva, sou tesão, sou calúnia, sou ciúme, sou ódio, sou amor, sou arte, sou ilusão, sou escritor.




Fui ator!

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