domingo, abril 01, 2007

Whatever

Abriu a cortina e olhou lá fora o dia ensolarado que embelezava a paisagem. Sorriu ao olhar o calendário preso à porta. Pulou por cima da cama e sentando na cadeira, foi deslizando até a mesa onde estava a máquina. Ligou e enquanto esperava o sistema carregar, sorveu o resto do leite que ainda estava no copo. Mordeu os lábios e começou a digitar. Seu semblante inquieto denunciava uma picardia dolosa. O drama ia sendo montado letra por letra. Terminou o texto de forma trágica, um término desta forma nunca seria bem vindo, era um rompimento fugaz e repentino.

Enviou a mensagem e tratou de se apressar, afinal não podia jogar com a sorte. Pegou o celular e saiu imaginando a reação do destinatário. Sorriu.

Enquanto estava a caminho, ela lia o email, tensa, preocupada, e aos poucos sua expressão facial foi denotando o desmanchar do seu estado emocional. Releu sem crer nas explicações. Não era traída, nem trocada, apenas abandonada. Ele estava partindo e dizia apenas que lamentava descobrir tarde demais que ela apenas fora um caso doce e mediano.

Sentiu que o mundo desmontava devagarinho e sentiu ódio dele. Chorou amargurada. Levantou da poltrona e sentou na cama, no cantinho, com as pernas encolhidas, os braços apoiados nos joelhos, os olhos inchados. Lembrou da última vez que fizeram amor, do cheiro dele, dos olhos dele. Morreu por dentro com a lembrança.

Então ouviu um barulho. Fogos estouravam do lado de fora. Foi até a janela e viu o alvoroço em frente sua casa. Havia bolas e uma faixa que declarava um amor. Era uma surpresa dele. O email era falso, o amor, continuava eterno.

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