Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

EscapaDela

Sexta vou ao baile. Um baile de formatura. Muita comida, muita bebida, muita música. Se este blog não se mexer, é porque eu não voltei.



É no momento de excitação que a pupila se dilata...

Amy Lee




Nota: meus amigos, se eu desaparecer por lá não se preocupem. Eu saberei onde estou, eu e o Google.

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Seleção Sub 20

A Seleção Brasileira é campeã do Campeonato Sul-Americano sub 20 disputado no Paraguai, que classifica os 2 melhores para as Olimpíadas de Pequim, e os 4 melhores para o Mundial da categoria que acontecerá no Canadá.

Brasil e Argentina representarão a América do Sul nos jogos Olímpicos.

Uruguai e Chile, 3° e 4° respectivamente, se juntarão a Brasil e Argentina, mas, apenas no Mundial.

O Brasil sagrou-se campeão vencendo a já eliminada Colômbia por 2 x 0 na última rodada do hexagonal final, obtendo a primeira vaga. A Argentina, vice campeã, ficou com a segunda vaga, num jogo extremamente disputado, ao vencer o Uruguai por 1 x 0, nos acréscimos, sendo que o empate classificaria os uruguaios para os jogos olímpicos. Coube ao Chile e ao Uruguai, se contentarem com a vaga no Mundial. Paraguai e Colômbia morreram no hexagonal final. Equador, Venezuela, Peru e Bolívia nem passaram da primeira fase.



Campeão Olímpico, o único titulo que falta ao nosso futebol!

Será em 2008?

Domingo, Janeiro 28, 2007

Privilégio

A vida é feita de momentos, detalhes e sensações. Há muito mais, é evidente. Mas quando encaixamos no momento exato, sensações provenientes de detalhes, podemos perceber a felicidade, simples e natural. Desde que haja o bem, é certo. Tudo fica claro, de maneira então que podemos vislumbrar o quão a vida nos mostra singela, diferentemente das outras faces que às vezes enxergamos. Algum maior mistério que a própria vida? Alguns citarão a morte, ouros, o Universo. Não farei juízo de valor, longe de mim tal pretensão, só me resta saborear o encaixe perfeito entre sensações, bem e felicidade, tudo no seu dado momento, no seu exato valor, na sua naturalidade evidenciada perante a própria vida. Tudo além será irrelevante, nada me fará mais feliz.




A vida é construída nas pequenas simplicidades, o resto é ramificação...

Sábado, Janeiro 27, 2007

Solidão

O que mata o ser humano não é o amor, é ela. Podemos sentir de várias formas. Há quem sinta a natural, há quem sinta a material. Há quem esteja rodeado de pessoas e mesmo assim. A vida é bem interessante, e aqui, à palavra interessante cabe uma peculiaridade: imparcialidade. Os aprendizados que carregamos ao decorrer da vida servem para nos mostrar o quão somos injustiçados e injustos. O que é interessante para uma pessoa pode desagradar outra. Sou apaixonado e apaixonado de verdade. Penso mais nela que em mim. O tempo todo. Mas parece que só agora percebo do jogo interno. Ela sabe disso, ela me conhece. Então ela age sempre pensando no próximo passo. Gosta de me provocar. Criar situações. No começo eu achava que era para me testar, para saber se eu gostava dela. Mas com o tempo fui reparando em detalhes que antes passavam despercebidos. Hoje posso afirmar que na verdade não era ela me testando, era ela simplesmente tendo controle sobre mim. Fui percebendo isso quando descobri algo numa noite: que numa relação, os dois devem estar em sintonia. Mas eu que sentia saudade, ela dizia que também, mas ela dizia, eu provava; eu que sentia ansiedade para vê-la, ela dizia que também, mas ela dizia, eu provava; eu fazia questão de falar com ela todas as noites, todos os dias, ela dizia que também, mas ela dizia, eu provava. É notório que fui me acostumando com essa situação ruim, ruim porque sentia-me só. Era como se eu soubesse que ela não sentia minha falta da mesma forma que eu sentia falta dela. Eu sabia disso. Fui sabendo aos poucos. E pensar que há tantas pessoas que queriam estar comigo nesse momento em que redijo essa carta. E ela que poderia estar aqui ao meu lado, não está. Não ligou, não apareceu. Já não sinto mais o que eu sentia, não vou mentir. Sou uma pessoa bem prática e racional, sei que não é justo ficar sofrendo por quem não cuida de mim. Vou viver sem me preocupar mais. Vou dar valor a quem me dá valor. Por que quem vive jogando não sabe viver. Vou dobrar essa carta e não vou entregá-la. Não mais. Ela não é nenhuma criança, sempre soube onde me encontrar, e sim meus caros, quando uma mulher quer realmente, ela faz acontecer, mesmo que o acontecimento seja dar um "oi". Mas nem isso eu tenho, até para dar um "oi", ou receber um "oi" eu tinha que marcar horário. É a última vez que leio isso. Já estou aqui além do meu tempo, vou pegar o metrô e ir para casa. No mundo há mais de seis bilhões de pessoas, ela que vá jogar com outro! Por que eu não tenciono estar com uma jogadora, só quero alguém que sinta minha falta da mesma forma que eu, uma pessoa que não fique me provocando nem me causando sentimentos ruins, uma pessoa, não um rótulo.




Não faças essa cara, também eu estou comovido!

Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Percalço

Numa relação duradoura o segredo é a confiança, a amizade, o bem. Quando tais ingredientes ficam raros ou em falta, é que o perigo se instala porque se perdemos a confiança no outro, fica a sensação de que lidamos com alguém estranho. É aí que tudo se confunde: como manter a intimidade com alguém que não conhecemos mais? Às vezes a situação é reversível, às vezes torna-se impossível.




No amor, ou olhamos na mesma direção, ou ficamos olhando (andando) em círculos.




Acompanhar o post com esta história:
Maria: alô?
Mário: oi querida!
Maria: onde estás?
Mário: aqui, aqui...
Maria: aqui? Onde?
Mário: no shopping, e daqui consigo ver-te!
Maria: jura? Então diga qual a cor da minha bolsa!
Mário: sshhhh, ssshhhh, a... mor...
Mário: deve ser o sinal... fala mais alto, mal te ouço...

Ditados meus

Quando o bom humor é atraente, a seriedade é atrativa.



Are you looking to me?

Mandy Moore

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Conversas impossíveis

A natureza humana é bem interessante. Uma das características mais curiosas é a mudança de humor. É natural que as pessoas sintam raiva, dor, ódio, amor, inveja, desconfiança, medo, saudade, ciúmes, orgulho, desprezo e muitos outros sentimentos. No que tange a questão do humor cabe uma ressalva. Talvez esse seja o único dos citados em que o fio da consciência humana extrapola os limites do labirinto de cada um dentro de nós. Podemos estar tentando agradar uma pessoa e de repente ela se transforma e nos atinge com uma resposta que não estava no contexto, beirando a grosseria, sendo boçal. Se isso é feito automaticamente pela pessoa, devolvemos na mesma moeda e ela então percebe que agiu mal. O problema é quando ela faz isso propositalmente. Aí configura mesmo a covardia, porque nesse caso, se devolvemos na mesmoa moeda, ela finge que não sentiu. E aí, ficamos com a sensação de que além de boçal, lidamos com uma pessoa sonsa.



Ele: ... mas amor, seus olhos são lindos!

Ela: Não perguntei se eles são lindos! Só quis saber se minhas pupilas estão dilatadas!

Otário por natureza

Turistas holandesas no Estado do Rio de Janeiro aparecem em fotos polêmicas com policiais na internet.




E eu achava que de brincadeira, era só a política!




Nota: sorte deles se ainda não tiver saído no YouTube! Existem outros que não possuem a mesma sorte!

Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Smallville

Quem prefere o outono entenderá da mesma forma, ou não. A folhagem seca que habitava o chão dava o aspecto climático que preenchia a paisagem inglesa nesta época do ano. Ela bateu as asas e voou para dentro do bosque. Sua tonalidade era curiosa. Pigmentos avermelhados misturavam-se com grandes manchas brancas. Não era das maiores. Ficou passeando à meia altura até pousar no banco da praça. Um mendigo que admirava o céu, deitado bem ao lado desse banco, levantou-se e foi tentar capturá-la. Subiu no banco com os pés descalços, irritando um casal que ali namorava tranqüilamente. Saíram de mãos dadas, deixando sozinho o andarilho, condenado pelo inconveniente proporcionado. Cansada de voar para lá e para cá, ela saiu dali e voou para longe. O mendigo deitou no banco e adormeceu. O casal prosseguia pelo bosque distraidamente quando esbarrou numa menininha que vinha com a mãe em sentido contrário. Ela não olhava para a filha, e sim para a polícia que insistia em expulsar aquele mendigo que tentava dormir. A garotinha deixou sua boneca cair e quando a mãe abaixou-se para pegar, foi empurrada por dois marginais que saíram correndo após lhe roubarem a bolsa. Ela correu até os policiais, deixando sua filha sozinha e foi aí que uma mulher a pegou pelo braço e saiu andando. Perdeu a filha por uma bolsa. A criança foi parar na Alemanha. A quadrilha era russa. Mantiveram a menina em cativeiro por dois meses. O caso foi ganhando extrema audiência em toda Europa. A mãe, que era americana, pediu ajuda à diplomacia. Falava-se em seqüestradores terroristas. Logo descobriram que a quadrilha agia na China e no Japão. Autoridades britânicas resolveram o caso, mas descobriram que o chefe da quadrilha fugira para a África. O conflito instalado recentemente na Somália era desencadeado por aliados do criminoso. Seqüestro e terrorismo de mãos dadas. Investigações levaram à pista do terrorista número um do mundo, que diziam, estar escondido no deserto. Afinal seria tudo uma estratégia da imprensa ou de fato havia ligação entre os bandidos? Havia ligação. O serviço secreto afirmava cada vez com mais veemência que o mundo estava ficando pequeno para o criminoso número um procurado pelo FBI. As notícias voavam e aqui no Brasil, o número de seqüestros aumentou. De tanto ver telejornais, passei a andar com medo pelas ruas. Quando vi esse caso da garotinha seqüestrada, passei a temer os seqüestros relâmpagos. Numa noite, vinha caminhando quando percebi que era seguido. Como passava pelo mesmo lugar todas as noites, resolvi mudar minha rota. E assim o fiz. No dia seguinte peguei outro ônibus que passava por outro lugar, de certo que demoraria mais a chegar em casa, mas era o mais seguro. Seguro foi, extraordinário também! Quase descendo do ônibus, achei uma carteira ao pé da roleta. Incrível. Continha um bilhete de loteria. Havia muito, muito dinheiro. Fiquei com o dinheiro e dei a carteira a meu pai que ficou com o presente e deu o bilhete à minha mãe, enquanto sorria, dizendo que ela poderia jogar os números num próximo sorteio. E não é que ela jogou! E adivinhem? Não! Ela não ganhou na loteria! Mas meu irmão, de troco, pegou um bolão na federal e lá estava nosso prêmio! Ficamos ricos. Agora nem ando de ônibus. Ninguém sabe que enriqueci, exceto meus familiares. Fiz segredo. Acho que vou passar o ano só acordando tarde e vivendo na boa vida. Praia, piscina, passeios, museus, viagens e vou deixar os estudos acumularem. Escrita, só no blog. Mudei de vida como a borboleta muda quando ganha asas. Antes eu dava duro para sobreviver, agora eu vôo. E pensar que uma simples borboleta, quando resolve bater asas, pode provocar um tornado do outro lado do mundo. Sim meus caros, é verdade, é o que diz a matemática e as leias da física. Não sei se foi isso que aconteceu comigo. Mas não sei por que, depois que melhorei de vida, passei a dar esmolas aos mendigos e a apreciar as coisas simples da vida como passar a tarde caminhando no parque com uma companhia de que gosto. Passei até a gostar mais do outono. Gosto de ver o vermelho das folhas secas se confundindo com o branco das borboletas pigmentadas que aparecem nessa época do ano, aqui e lá em Londres.




Se destino existisse, livre arbítrio seria apenas invenção!




Nota: para quem quiser saber mais sobre a Teoria do Caos!

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

1

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

2

Domingo, Janeiro 21, 2007

3

Sábado, Janeiro 20, 2007

4

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

5

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

6

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

Atemporal

Quando comecei este blog, não imaginava que fosse ganhar tantos contatos, tantas amizades, tantas histórias. Não imaginava que fosse ler tantos comentários e obter tantas visitas em tão pouco tempo. Quando começamos algo assim, não imaginamos a amplitude e o alcance da aventura que isso pode nos remeter. De fato que aqui estabeleci verdadeiros amigos. A verdade é que durante algum tempo, esta foi minha casa. As visitas foram crescendo e aos poucos fui me identificando na blogosfera. Conheci pessoas maravilhosas por trás de um nick. Conheci blogs excelentes por trás de um propósito, cada um no teu, dentro daquilo que podia nos oferecer de melhor. Comédias, romances, histórias, política, esportes, tudo, tudo. Navegar pela blogosfera e participar dela foi e é de um prazer incomensurável a mim. Sendo visitante ou freqüentador, não importa. Poder comentar ou apenas apreciar, não fazia grande diferença. O barato disso é que você vive a liberdade de expressão. Para escrever, para comentar. Há aqueles que se escondem atrás do anonimato. Quem nunca pecou? Há aqueles que apenas buscam audiência, quem nunca deixou de crescer? Há aqueles que nos brindam com textos fabulosos, com sátiras maravilhosas. Aos poucos a minha lista de links foi crescendo. Dentro de cada seção um estilo diferente. E os comentários? Quem visita blogs e não tem um, às vezes se engana achando que um post é estado de espírito do autor. Quando eu escrevia romance, chamavam-me de apaixonado. Quando eu fazia comédia era feliz, quando eu postava uma foto de uma gaja boa, era pervertido! Quando eu criava um ditado, era revolucionário. Aí está a magia, as pessoas esquecem que por trás daqui, há um Thiago Forrest Gump. Eu não sou um blog. É a mistura da realidade com a fantasia. E essa mistura proporciona essa interação fantástica. Não digo que vou parar porque nunca sabemos o amanhã. Talvez eu volte logo, nem eu sei. Vou continuar visitando os blogs de que gosto e descobrindo outros.


A operação era dramática. Estavam exaustos e o perigo ainda era real. Não podiam falhar nesta altura. Faltava pouco e agora era o momento mais intenso. Ele estava fechando-a e então notou que algo havia errado. Os batimentos cardíacos foram decaindo e a equipe foi tomada por pânico. Lá do lado de fora o marido dela esperava impacientemente. Dentro da sala cirúrgica, eles tentavam a todo custo reverter essa situação. Ele tentou reanimá-la uma, duas, três, quatro vezes. E então ela começou a abrir os olhos. Os olhos dele encontraram os dela. A sala foi esvaziando e então eles ficaram a sós. Ela pediu que ele se aproximasse e sussurrou, “doutor, diga a meu marido que o esperarei lá em cima?”. Ele a encorajou com o olhar fixo enquanto mordia os lábios. Levantou e foi até a janela, com as mãos na cintura. Quando se virou, ela havia partido. Ele saiu dali tirando as luvas e dirigindo-se a sala de espera. O esposo estava aguardando ansiosamente, “e ela?”. “Vou poder dançar com minha esposa na festa de Natal?”. “Vamos poder fazer amor?”.
Ele amassou um pedaço de papel e começou a parte mais difícil de sua profissão, “ela disse que vai te esperar lá do alto!”. O marido levantou mudo e saiu.
Mais tarde, quando já estava só, rabiscou algumas palavras num bloco de anotações e terminou de sorver o resto do chá. Desligou seu computador, fechou as persianas, pegou a chave de seu carro e saiu. Dirigiu por meia hora até estacionar na beira da praia. Sentou e ficou contemplando o mar no vai e vem das ondas. Lembrou dela e começou a chorar, mas deteve-se. Sabia que não adiantava mais. Foi embora para casa. Tomou um banho e serviu um drink. Sentou e começou a tocar. Ele nunca foi excelente pianista. Tocava por distração.
Ela acordou de repente. Abriu os olhos e respirou assustada. Sua visão foi se restabelecendo até que ela notou uma pessoa a olhar pela janela, com as mãos na cintura. “Eu tive um sonho, doutor...”. “Sonhei que dançava com meu marido na festa de Natal, e o senhor estava lá, como nosso convidado de honra, tocando piano, alegrando o ambiente...”.
Ele sorriu, “mas eu nem sei tocar piano, meu passatempo é a escrita, por isso vivo com um bloco de anotações, quando não sou médico, sou escritor!”.
"Conserto o ser humano e formo histórias. As minhas eu construo, as vossas eu ajudo reconstruir.".



O que liga uma esperança é a fé, não um interruptor!

No bloco de anotações, os comentários são os sorrisos...

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Instante

Chegou no seu limite. Havia tentado inúmeras saídas, mas sentia que o desgaste já era irreparável. Abriu os olhos e pensou em levantar. O relógio ao lado da cama acusava que a madrugada seria esticada. Começou a pensar nela e deteve-se antes que recomeçasse. Mas era tarde porque já estava entrando pelo túnel mental e buscando explicações. Enquanto suas idéias mexiam-se na mente, ele imaginava o que pudesse ser feito ainda para consertar o que restava de um relacionamento opaco. Levantou e foi até o computador tentar escrever um e-mail.

Sentia que estava agindo errado o tempo todo. Não com ela, mas com si mesmo. Algo intransponível à sua razão o impelia. Estava tão cansado. Cansado por dentro, de tanto ter que consertar quando aparecia um defeito. Os remendos já se amontoavam de modo que isso o deixava perplexo perante a passividade dela.

Desistiu de escrever e voltou a deitar. Abriu a janela e deitou ao contrário na cama, olhando o céu azul-marinho, nu, sem lua, sem estrelas. O vazio noturno o acompanhava. Então fez se a luz. Ele raciocinou por uns minutos e descobriu que se estava naquela situação por causa de uma pessoa e estava cansado de lutar sozinho, sentia agora que estava agindo errado perante a situação. Nesse momento ele descobriu que a saída estava bem diante de seus olhos. Pegou o celular e renomeou o nome dela. Foi na tela do computador e arrancou um post-it que denunciava um compromisso dias depois. Caminhou até à copa e desgrudou da geladeira um aviso que lembrava que ele deveria ter com ela logo mais num determinado horário.

Quando voltava para o quarto, tomou uma xícara em suas mãos e depois de muito tempo sentiu como era o gosto do café. Sentia-se leve. E ironicamente o seu telefone começou a tocar, mas era tarde e ele já estava deitado. Do outro lado da linha ela esperava. E sua irritação só aumentava, gradativamente, porque ela acabava de experimentar mais um dos inúmeros sentimentos que a vida nos oferece.




Por que ele não atende?

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Retoque

Doce ilusão apegada a paixão
Momento sublime, magia, encantação, nostalgia
Vem em mim, vou em ti
Pelo sim, pelo não
Sossego interrompido pela imaginação

Imagina a lembrança apegada a pessoa
Instante sereno, doce veneno
Vem em mim, vou em ti
Pelo sim, pelo não
Inquietação desmedida pelo amor que ressoa

Ressoando a idéia apegada ao lugar
Tempo momentâneo, prazer espontâneo
Vem em mim, vou em ti
Pelo sim, pelo não
Tranquilidade salientada pelo verbo amar

Amar a sensação do desapego à paixão
Período estático, sentimento errático
Vem em mim, vou em ti
Pelo sim, pelo não
Época dramática traduzida em emoção




Smallville para lavar a alma!

Domingo, Janeiro 07, 2007

O mentiroso chefão

Depois de 13 anos, os Democratas reassumem a câmara do Congresso dos EUA. Nancy Pelosi chega com um discurso para lá de avançado, prometendo combater a corrupção e investigar as ações norte americana no Iraque. Já chegou fazendo história por ser a primeira mulher a ocupar o cargo. Mais difícil que isso, porém, seria conseguir impedir que o presidente Bush mudasse suas atitudes.

Os Democratas prometeram em 100 horas trazer de volta as tropas americanas do Iraque. Uma utopia, levando-se em consideração que o presidente pensa exatamente o oposto, enviar mais soldados.
E no meio disso tudo fica a incerteza do mundo. Jacques Chirac já se pronunciou, o presidente francês fez duras críticas ao governo norte americano e disse afirmando que a guerra só aumenta as tragédias e não ajuda a combater o terrorismo, de fato.




Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono!




Nota: se o post fosse escrito por Jacques Chirac, não tenho dúvidas de que o título seria outro, "o poderoso bobão"!

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Importante por opção

Era uma vez a verdade. Em forma de realidade preenchida por características de seriedade e recheada com insanidade. Pura maldade. Fui refazendo e reinventando a arte. A platéia ria e sentia o drama da vida surreal em forma de mentira, mas com toda naturalidade. Comédias, suspenses, terrores, dores, amores, tragédias. Não era fácil enganar, fingir, dissimular, encantar, maltratar. Decorações, exclamações, interrogações. Paixões. Encenado e reconduzido, cada cena, cada aplauso adquirido. A cena, o palco, a multidão, o ibope, o resultado, o apelo do sim, o medo do não. Quanto risco. Mas insisto, reluto, reconstruo, ignoro a crítica, desprezo a inveja. A mística da fama, do sucesso, do altruísmo. No meio disso havia tanto egoísmo, egocentrismo. Esquece tudo, a conseqüência de errar era recomeçar. Fui valorizando, edificando depois de ir remontando. A minha paciência. Perdi o caráter. Roubei, matei, enganei, menti. Odiei a ti. Traí! Fugi da polícia. Sobrevivi. Fui mocinho, fui covarde, fui cego, fui herói. Apanhar não dói. Fiquei solitário. Imaginário e contrário. Torpor. Perdi um amor. Enganei a mocinha com a vizinha. Fui político, fui de tudo. Menos escritor. Nunca escrevi porque era analfabeto. Só sabia ler. Meu sonho era viver. Quando durmo, sonho, quando acordo, vivo. Vida sedentária, vida seca, amarga. Falta-me a objetividade para atuar. Não consigo recriar. Tenho a luz, a cortina, a conexão, o vigor, a inquietação. Cadê a imaginação? Tenho sim, tenho não. Não sei o que é anáfora, não senhor! Aqui faz calor. Embaixo dessa fantasia, desse roupão, perco-me na maquiagem, da arte, da vida. Pelo pão. Pela sobrevivência sofrida, enriquecida, sentida ou distraída. Vida deprimida. Vida de luxúria. Anáfora? Metáfora! Sou um bicho, sou extraterrestre. Vida urbana, vida campestre. Anjos terrestres. Anjos celestes. Fui de tudo isso um pouco. Menos escritor, o resto, tudo fui. Mas onde está a verdade? Vou dizer com sinceridade, sou famoso, sou falado, sou citado, sou declamado, sou aplaudido, sou paixão, sou dor, sou raiva, sou tesão, sou calúnia, sou ciúme, sou ódio, sou amor, sou arte, sou ilusão, sou escritor.




Fui ator!

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Infinito

Eles vinham andando pela calçada que contornava a praia deserta. A lua iluminava aqui e ali os coqueiros que adornavam a paisagem soturna. Desviaram para a areia e foram seguindo em direção ao farol. O ânimo impedia qualquer diálogo e a pressa corroborava a tensão daquele momento. Chegaram ao final da orla e subiram novamente na calçada, adentrando por um caminho estreito entre a vegetação.

As árvores desenhavam suas sombras na parede do casarão. De longe se ouvia o barulho das ondas que se confundia com os grãos de areia arranhando o solado dos pés. Tudo mais era de uma quietude fugaz.

Passaram pelo portão e entraram pelo corredor frontal. Algumas gotas grossas começavam a despencar do céu no momento que eles penetraram na sala. Ao lado da lareira havia uma árvore de natal que ambos montaram e enfeitaram. Acima dela havia um quadro pendurado na parede, que mostrava uma confusão de cores. Como um arco íris desmanchando-se com o toque do dedo de um anjo que tenta tocar uma jovem, esticando seus braços. Do outro lado da sala, na direção da árvore, havia um relógio de parede que não funcionava. Um tapete completava a decoração do ambiente. Abriram uma porta lateral e subiram para o segundo andar. Ele na frente, ela logo atrás. A chuva aumentava lá fora e o barulho da tempestade a fez tremer. Aumentou o ritmo dos passos tateando a parede até encontrar o braço dele.
Quando chegaram ao fim do lance de degraus, ele virou para ela com um ar sério e então ela o encarou sem dizer palavra. Ficaram por um momento ali, duelando em pensamentos. A claridade oblíqua da lua permitia uma vaga idéia da aparência de cada um. Então um grande estrondo lá no alto mar fez com que se distraíssem e prosseguissem em frente. Ele arrancou o calendário da parede enquanto ela sentava no piano e arriscava uma nota.

Depois disso ele abriu a janela que dava para o mar e tentou ficar ali admirando a chuva que caía reta, e então lhe disse, “tenho algo para ti...”. Tirou do bolso um envelope quadrado e inclinou o corpo deixando cair em cima do piano. A música cessou e ela o fitava com os olhos fixos e compenetrados. Sem vacilar ela o provocou, “do que se trata?”. Mas ele já virava as costas e subia para o último andar a fim de deixá-la a sós para que lesse.

Quando estava sozinha, abriu o envelope e começou a desvendar as palavras que à medida que iam sendo formadas em frases, a fazia estremecer e sentir um arrepio que vinha da nuca e descia pela espinha. Levantou do piano e foi subindo lentamente para o terceiro andar enquanto lia pausadamente. Interrompeu-se por um instante até o encontrar com o olhar, sentado na beirada de uma mesa com os pés apoiados numa cadeira. Foi caminhando em sua direção e voltou a ler. Quando terminou, tocou no ombro dele e guardou os lábios como quem acaba de agonizar.
“Eu também tenho algo para ti!”. Retirou da carteira um papelzinho dobrado, amassado e escrito a lápis. Ele abriu a mão e ela deixou cair, mas a ventania o fez rodopiar no ar e cair numa poça que se formava com os pingos da chuva que molhavam o assoalho. Rapidamente ele abaixou-se e pegou o papelzinho molhado, mas quase não conseguia enxergar o que estava escrito. Forçou às vistas enquanto murmurava, “não consigo ler...”. Ela deixou escapar seu semblante aflito e sua respiração ofegante demonstrava o quão ela desejava que ele lesse. Ele puxou a mesa para perto da janela e segurando-a pela cintura tentou acalmá-la. Então ela tentou subir, mas a madeira velha cedeu e a mesa rachou na extremidade ficando numa posição de rampa. Sorriram com o acaso e então ele deitou-se de frente para a janela, mas agora só era possível vislumbrar o céu. Ela deitou ao lado dele o empurrando de leve e isso o fez perceber uma pequena luminosidade da lua que atravessava o telhado e iluminava o canto com a parede. Ele então debruçou e colocou o papelzinho na direção da claridade adjacente à parede, bem perto da poça e conseguiu ler o que ela havia escrito.
“Não entendo...”, disse a ela enquanto devolvia o papelzinho. Ela devolveu o desafio, “você rasgou o calendário quando chegamos, não despreze os números...”, e sorriu de volta para ele.
Ele então colocou o papelzinho novamente na claridade e percebeu que no canto, no verso, havia uma data, a mesma em que ele havia escrito a carta que ela leu ali no andar debaixo.
Abraçaram-se e ficaram ouvindo a respiração um do outro. Haviam decidido se entregar tempos atrás, no mesmo dia, mas agora o fato se consumava. Beijaram-se de leve e sorriram enquanto diziam ao mesmo tempo, “agora o passado tornou-se presente!”.




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