Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Sutil

Quando se recebe menos do que se dá, fica um vazio, uma sensação de injustiça, de perda. Quando se recebe além do que se dá, fica a sensação de alegria, de entusiasmo, de preazer. Mas quando se recebe o mesmo, na mesma proporção e intensidade, fica a sensação de que tudo está completo. Não é o grau superlativo de superioridade ou de inferioridade que vai preencher um e esvaziar o outro.



É na reciprocidade que encontramos o reflexo do bem...

No amor, não admite-se dados, cartas ou pedras marcadas.




Nota: para não refletir o mal, basta cobrir o espelho. Ou então fechar os olhos.

Serviço Público

Tenho uma amiga que certa vez me indagou sobre meu egoísmo. E ela tinha razão. Este blog é recheado de mulheres. Ok, ok, vou ser mais justo com vocês. Falo das minhas amigas, é claro!



Thiago, eu adoro suas leitoras!

Tom Cruise

Resultado

Se quem malha é mais feliz, quem tem preguiça é mais o quê?



Ontem dormi de mau jeito...

Monica Belucci

Ditados meus

Uma mulher exibida é uma simpatia, um homem exibido é uma piada.




Juro que fui justiceiro...

Domingo, Fevereiro 25, 2007

Exceções

Num relacionamento encontramos um leque de sensações. Independente de namoro, casamento ou um simples caso ou quem sabe até mesmo um affair. Independentemente de existir amor ou paixão ou ainda atração, sempre haverá questões pragmáticas capazes de levantar crises e discussões. Uma coisa é certa: mesmo quando o nível sentimental é o mesmo, os medos se diferenciam.



Ele (pensando): admito tudo, menos que ela faça sexo com outro...

Ela (pensando): admito tudo, menos que ele se apaixone por outra...




Nota: claro que há exceções, pudera o título! Um post polêmico obriga a comentários mordazes!

Ditados meus

Quando o tédio chega, os homens se divertem, as mulheres fazem compras.




Queriam que eu sorrisse...

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Relacionamentos improváveis

Estava deitada relembrando a noite anterior, quando reviveu sensações que imaginava não mais sentir, não com ele. Ela sabia que não devia esperar nada além. Por mais que enxergasse possibilidades, sabia que eram remotas. Ainda podia sentir o gosto do beijo e aquelas mãos afagando seus cachos. Como ele era bom, pensou.

Ficou parada, admirava o teto do quarto enquanto seu sorriso se desfazia ao imaginar outra coisa, imaginar que não sabia lidar com isso. E começou a pensar no pior. Ela recordava que da vez passada, havia sofrido.

Resolveu tomar um banho e colocou seu vestido mais sensual. Abriu sua agenda e discou um número. Do outro lado da linha, um velho amigo de faculdade atendia surpreso, era um contato quase apagado.

Marcaram um encontro. Ele sentia que finalmente teria sua chance depois de esperar por ela tantos anos. Ela precisava que alguém a fizesse esquecer o dono de sua mania estranha de ficar admirando o teto do quarto.

Sentia uma culpa, de leve, por perceber que de certa forma, estava usando outra pessoa, mas não seria um mau uso. Ela estava realmente disposta a aprender a gostar de outro, pois não podia viver presa numa fantasia. Teria que arriscar, e se falhasse, pelo menos saberia que tentou, e se não falhasse, seria feliz.




Agora sou querida, não preciso mais de ti...




Acompanhar o post com esta história:
Conquistador: alô! Lembra de mim?
Ela: sim.
Conquistador: pois, lembrei hoje de ti, resolvi lhe convidar para sair...
Ela: ah sim, também lembrei hoje de ti...
Conquistador: e?
Ela: preciso desligar, tenho que me arrumar depressa.
Conquistador: nossa! Era tudo isso saudades? Mas eu nem fiz o convite!
Ela: ah... Minhas desculpas, acho que não entendeu!
Conquistador: sim, sim, adivinhou que eu fosse procurar por ti hoje!
Ela: (silêncio)
Conquistador: onde queres ir?
Ela: onde meu namorado quiser me levar.
Conquistador: (silêncio)
Conquistador: (silêncio)
Ela: alô?
Conquistador: ah... hum... é...
Ela: pois, lembrei de ti hoje, justamente hoje.
Conquistador: por qual motivo?
Ela: li um texto. O título era "problema". Havia um vaso com uma flor...
Conquistador: e daí?
Ela: isso era o problema.
Ela: bastava quebrar o vaso para resolvê-lo!
Conquistador: aposto que ninguém resolveu porque ninguém queria machucar a flor!
Ela: exato! Daí pensei que você sempre foi o vaso.
Ela: quando resolvi lhe quebrar achei a flor.
Conquistador: (muda o semblante)... mas vaso ruim não quebra!
Ela: eu sei, disse metaforicamente.
Ele: amor, estás pronta?
Conquistador: ouvi uma voz, é seu namorado que chegou?
Ela: sim! Vou desligar.
Ela: ah, só mais uma coisa, qual a sensação de ser vazio?
Conquistador: qual a sensação de ter sido usada por mim?
Ela: não há namorado, só fiz um teste para medir seu caráter, e você se entregou!
Conquistador: (aflito)... espere, espere! Foi uma piada!
Ela: sim, sim, foi muito fácil lhe pegar, caiu o pano!
Ela: boa noite.


Nota: o conquistador ficou pasmo, sem ação. Do outro lado da linha ela sorria prazerosamente ao lado de seu namorado. Saiu para ser feliz.

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Telegrama do além

Atendeu o telefone com a voz embargada no meio da madrugada. Do outro lado da linha, uma voz sedutora insinuava algo que eles já sabiam. Aquela história antiga de sempre. Ela insistia, desafiando com propostas indecentes. Ele ludibriava suas intenções, arriscava outro ângulo, e a discussão ia se prolongando.

Ela parou de insistir, ele ouviu um silêncio demorado e desligou o telemóvel. Levantou, abriu a janela e observou atentamente uma luz acender do outro lado. Voltou para sua cama, atordoado. Olhou cautelosamente, ela ainda dormia, um sono profundo e sereno.

Olhou de relance para o telemóvel em cima do criado mudo, voltou a observá-la. Pegou o aparelho e desligou depressa. Repousou seu olhar naquele corpo que descansava perante seus olhos. Respirou fundo e a abraçou. Podia perceber que lá fora uma luz acendia e apagava constantemente.

Estava rolando de um lado para o outro, agitado, sono profundo. Foi acordado pela mulher. Estava suado, nervoso. Abriu os olhos e aos poucos a imagem do seu quarto foi ganhando nitidez até reconhecer sua esposa. Havia sonhado.




Se te mexeres eu vou atrás de ti...




Acompanhar o post com esta história:
Ela: amor, com quem sonhavas?
Ele: sonhava que era infiel a ti!
Ela: e me traías?
Ele: não sei, tu me acordaste!

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Solução?

Só falta ele achar a cura definitiva e o Google em parceria, patentear! Brincadeiras à parte, tomara que dê certo! Seria uma vitória do homem...

Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Qualquer

Sou ninguém. Depois de tanto ter lutado, depois de tanto ter falado, depois de tanto ter enfrentado, sou ninguém. Depois de tanto ter entendido, depois de tanto ter insistido, depois de tanto ter doído, deixei de ser alguém. Agora sou ninguém. Sou ninguém porque desisti, deixei de insistir, passei a infringir, desaprendi a sorrir. Sou ninguém. Deixei de ser alguém porque passei a desacreditar, a não mais esperar, nem procurar, tão pouco imaginar. Deixei de ser alguém. Quando era alguém, deixava de ser ninguém porque havia um porém, era eu diferente de ninguém. Havia um motivo, uma causa, havia algo além. Mas agora? Agora há ninguém, não há alguém. Se não há alguém, deixou de existir a ausência do ninguém, e então? Constatei que sou ninguém. Não era eu agora alguém, nem foste tu esse alguém! Sob o frio da ignorância passei a significar ninguém, sobre o cúmulo da arrogância passei a traduzir o contrário de alguém. Repeli a ignorância, ignorei a arrogância, e o preço foi ser ninguém. Fosse eu outra pessoa, louco ou insano, não era meu desejo ser ninguém ou deixar de ser alguém. Agora sou simplesmente ninguém e tu é tão subjetivamente anonimato, indecifrável, enigma de outrora alguém, agora, quem?




Se fosse um trevo de quatro folhas, o bem-me-quer, mal-me-quer, não seria um resultado qualquer...

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Aquarela

Acendeu a lâmpada e começou a tracejar cuidadosamente cada milímetro do papel virgem. Desligou o som para obter maior concentração enquanto alimentava suas ilusões com cada pingo de cor, cada detalhe no preenchimento, cada sombreamento articulado e construído que ganhava forma perante seus olhos. A paciência era sua companhia nesses momentos, era com ela que ele dividia o medo de errar e não agradar a si próprio, afinal, era exigente.

À medida que o relevo dava vida à imagem, sua tensão aumentava, sua cautela também. Era no silêncio que gostava de criar, de enaltecer aquilo que tanto gostava, a arte. O cansaço não impedia de produzir, de recriar, de sobrepujar as barreiras quase intransponíveis do perfeccionismo artístico. No decorrer de algumas horas, já dava para perceber a naturalidade do trabalho quase pronto. O suor na testa e os olhos vermelhos denotavam o sono carregado, o estresse do esforço meticuloso, do esforço perante o artístico, da luta entre homem e obra.

Foi retocando o papel com sutileza, uma batalha desenfreada entre o belo e o casual. Uma linha tênue entre a normalidade e o sublime. Era uma confusão de sensações, de sentimentos, de gostos e sabores. Quando terminou, esperou a folha secar e estendeu o papel antes virgem, contra a luminosidade artificial. Virou a figura contra a claridade e sentiu a textura peculiar. Agora estava pronto. Levantou e caminhou até a janela aproveitando a luz da lua, e notou que havia esquecido uma cor, o azul.

Foi até a prancheta e tratou de corroborar seu esquecimento de forma que não mais se repetisse, afinal, era simples, mas era seu.




Quem nasceu primeiro: a vida ou a arte?

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Marquinha

Ir à praia e se descuidar...



Quer uma toalha?

Destroc’me ó fax favôri!

Sábado, Fevereiro 10, 2007

Sentir-se em si

Os vitrais davam a aparência que completava sua mente. Os desenhos uniformes caracterizavam uma inquietude que também existia dentro do seu íntimo. As velas ardiam enquanto o sino tocava no alto. Pela janela, conseguiu avistar inúmeros pombos que pousavam na praça ao lado. Era a única pessoa ali, no silêncio, na escuridão do ambiente. Ali fugia de tudo, de todos, estava a sós com seus pensamentos. Precisava tomar uma decisão, fácil, porém dolorosa. Olhou para os lados, constatou a solidão e então abriu a carteira tirando um papelzinho dobrado. Levantou do banco lateral e caminhou até o altar. Agora, perto dos candelabros, podia ler melhor. Coçou a orelha esquerda e repousou a mão por trás do pescoço, sentindo um arrepio, já era resultado daquilo que seu organismo sabia que estaria para acontecer. Ouviu um estrondo que acompanhou um relâmpago. Agora o barulho da chuva acompanhava seu dilema particular. Sabia que precisava recuperar o controle, mas não havia mais retorno, precisava voltar a viver. Possuía a liberdade, mas era artificial porque não conseguia se libertar de algo que estava lhe arruinando. Andava triste e seus amigos reparavam. Às vezes pensava em fugir mas sabia que não era uma pessoa covarde e além disso a culpa não lhe cabia, era inocente. Terminou de ler o papelzinho e dobrou novamente. Cerrou o punho e pensou na pessoa que estava destruindo sua alegria de viver. Amassou o papelzinho e em seguida começou a rasgar em pequenos pedaços. A chuva aumentava e os resquícios do bilhete ia sujando o banco onde estava. Recolheu tudo e jogou pela janela. Olhou o celular e viu que havia uma nova mensagem. Leu sem curiosidade e apagou em seguida. Não influenciaria mais em sua decisão. Levantou dali e saiu, indo se molhar na chuva torrencial para lavar a alma. Foi caminhando sem compromisso. Pela primeira vez sentia-se livre, livre de sentimentos e sensações ruins. Olhou do outro lado da praça e viu que a pessoa em questão havia chegado e acabava de sentar. Parou de andar, com o celular na mão, adivinhando que tocaria agora. Quando começou a tocar, contornou a praça, acenou com a cabeça e atravessou a rua. Desceu pela escadaria do metrô até desaparecer. A pessoa então desistiu de continuar ligando e ficou ali, na chuva, solitariamente. Percebeu então que não obteria respostas, porque a outra pessoa havia se cansado dos seus erros constantes. O metrô partiu, os pombos também.




Às vezes, para sermos felizes, é preciso chegarmos no limite.




Nota: o texto é unissex, tratei de não usar pronomes pessoais. Afinal, homens ou mulheres poderiam ser qualquer um dos personagens.

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Simples

Decidiu que precisava descansar e então sentou para contemplar o mar azul. O sol já ia desaparecendo lentamente e as gaivotas preenchiam o ar com a típica algazarra. Por um tempo ele ficou perdido no vai e vem das ondas, mas depois passou a estudar o horizonte, longe e perfeito em sua geometria. O dia estava terminando, a tarde ia se despedindo vagarosamente. Estava absorto. Lembrou que não dormiu durante a madrugada e que o dia em si foi bem monótono. A tarde extinguia-se e ele só podia ver o mar. Só lhe restaria a noite. Lembrou das pessoas mais presenciais, e voltou a sentir aquela sensação de que algo estava para acontecer. Havia dias que ele sentia isso. Mordeu o canto da boca enquanto tentava se entender consigo mesmo, consigo próprio. Não sabia distinguir se seria um momento, uma pessoa, um acontecimento propriamente dito. Sabia tão somente que uma novidade pairava no ar, e ele não se desapegava disso, deste intenso aviso interior que o perseguia de forma sutil. De repente um pensamento sucinto lhe ocorreu, era alguém. Olhou para os lados e notou que as gaivotas estavam silenciosas. Percebeu então uma pessoa caminhando em sua direção, segurando um chapéu branco que teimava em ser levado pelo vento. No rosto, ela trazia um óculos enorme, e o traço dos lábios era reto, como a linha do horizonte. A lua já se mostrava perpendicular à cena que ia se destacando. Ele levantou e ficou parado observando a moça que vinha caminhando, descalça. A distância ia diminuindo e ele sentia um fogo queimando seu peito. Ela não parava de olhar. Então eles ficaram próximos, e o olhar de um cruzou com o outro. Não sorriram, apenas ficaram ali. Sentaram no mesmo instante, ficaram admirando o horizonte. Não se tocaram, não pronunciaram palavra alguma. O único som era da água beijando a areia. Sentiam a mesma coisa, indescritível, porém, original.




É assim que ocorre, sereno, limpo, suave, sem medos, sem mentiras, apenas inocente.

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Cheio vazio

Post persuasivo.




Comentem, comentem, comentem, assunto é o que não falta...

Good Morning

Fui dormir na companhia de uma, acordei na companhia de outra!




Há mensagens e mensagens...

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Brasil vs Portugal

A partida, em Londres, está marcada para as 18:00 horas, horário de Brasília. Todos os ingressos foram vendidos, será um jogo para inglês ver?




Boa sorte!

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

Retorno

Um amigo está de volta, a blogosfera agradece!




João, arranje o champagne que eu arranjo a gaja!

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Melancolia

Chegou em casa e deitou na cama arrumada. Ficou mirando o teto, consternado, diluído em pensamentos. A noite quente trazia o desconforto, ele sentia fome. Seus pensamentos traduziam cada segundo do seu dia. Levantou e desatou a gravata. Tirou o paletó e caminhou até o canto do quarto onde serviu um drink. Dali, ele ficou se olhando no imenso espelho. Acima, havia um quadro, uma tela que representava o silêncio. Uma casinha no meio do nada. Só havia a plantação de trigo que era entortada pelo vento imaginário. Olhar esse quadro dava calor.

Ele caminhou até o banheiro, voltou e ligou o som, volume baixo, queria apenas sentir as notas do piano. Desta vez, entrou no banheiro e deixou-se ficar submerso na banheira. Um pensamento de repente o fez enrugar a testa. Começou a imaginar se era uma pessoa adequada. Pensou na situação mais uma vez, era estranho sentir-se dessa forma, como se ele fosse vítima e ao mesmo tempo culpado. Talvez ele fosse bom demais, talvez ele não enxergasse o quanto a sua razão estava ao seu lado. Pensou no tempo gasto, no tempo dedicado, nas suas boas intenções, nas sensações que ele tencionava sentir, e dar em troca. E então ele chegou no ápice de sua angústia, de sua monotonia, de sua tristeza. Seu pensamento não saía desse ritmo, dessa parte, e ele cada vez mais se sentia pequeno diante da dúvida.

Não sabia como parar de se torturar. Ao mesmo tempo em que sentia o sofrimento da adjacência, sentia também o sabor da incompetência própria. Se ao menos ele soubesse, se era coadjuvante ou incapaz, mas não, teria de sofrer com a dúvida. Era isso que estava arruinando sua paz, seus dias. Terminou o drink e levantou da banheira derramando água ensaboada pelo chão. A bagunça era menor que a instalada no seu espírito. Pegou uma toalha e caminhou até a varanda sentindo o forte vento contra seu corpo úmido.

Ficou pensando no que acontecera, na vergonha que sentiu quando ouviu como resposta um “porque não”. Mordeu os lábios sentindo-se diminuído, desprezado, fraco. Foi até o quarto dos fundos. Abriu o guarda roupa, pegou seu pijama. Voltou ao quarto principal, desligou o som despedindo-se das notas de seu instrumento favorito, predileto. Apagou a luz.

Deitado, ficou a observar a tela que agora se mostrava diferente, onde a casinha agora se apresentava revestida de uma dessemelhança quase teatral. Não se via os trigais. Apenas o breu ao fundo e a inexatidão do horizonte, torto, como o frio cortante que embalsava sua alma para um lugar inócuo, mas isolado. Era o máximo que ele conseguia arranjar para pelo menos tentar fechar os olhos. Seu corpo suava com a noite quente, mas por dentro ele congelava sentindo na pele a conseqüência de ter a alma despedaçada e machucada.

Decidiu que nunca mais passaria por isso. Havia uma pessoa que jamais diria “porque não”.

Abriu os olhos, olhou para essa pessoa que estava na sua frente, logo ali, mordeu os lábios, sentiu uma lágrima rolar pela face, essa pessoa, também chorava, essa pessoa era seu reflexo no espelho, porque havia uma pessoa que jamais diria “porque não”.

Esta pessoa era ele mesmo, era ele próprio.



Quando nossa alma chora, sentimos, mas pior é quando ficamos na dúvida...

... imaginando que a paisagem não se mostra ou por nossa inocência, ou por uma incoerência alheia.

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

gnippaZ

Entrou no ônibus e foi percorrendo o corredor à procura de um lugar. Estava cansado. Tencionava um lugar à janela e percebeu que só havia uma única opção. Não hesitou. O problema é que neste assento, era obrigado a ficar de frente para os outros, pois a poltrona era invertida. Nada mau, pior seria ficar de pé, refletiu. Tirou do bolso seu mp3 e com os cabelos ao vento, foi olhando as pessoas nas ruas, enquanto ouvia seu som.

De repente, sem mais nem porque, virou-se para frente e ficou hipnotizado com o que acabava de ver. Um anjo, um par de olhos que era coisa de outro mundo, um olhar magistral. Ficaram se olhando, frente a frente, compenetrados. A cor azul piscina lhe tirava o fôlego e ele já nem mais sentia a música que antes domava seu ambiente interior.

Sabia que aquele momento seria único, sabia que provavelmente jamais encontraria aquele par de olhos novamente, sabia que queria algo mais, sabia que aquele olhar sapiente havia mexido consigo. Pensou em tomar uma atitude, sabia que a qualquer momento, ele poderia levantar-se, e então quando estava ficando desesperado, sorriu. O ônibus estava preso na ponte e o engarrafamento era largo. Saiu do seu lugar e sentou ao lado dele, diminuiu o volume do som e então pediu licença. Esticando o braço, abriu a janela dele e o vento soprou. Agora não corriam o risco de que este instante fosse único, pois estavam ali, lado a lado, e o momento de se estudarem havia cessado. Um sorriu, o outro deu um oi.




A intimidade subsequente ficou para após o engarrafamento...




Nota: este post "masculino" é sinônimo deste "feminino"! Há quem sugira uma troca ou mistura entre os 4, há quem prefira como está. Como vivemos numa democracia, deixo que os vossos comentários traduzam a vossa consciência, afinal, o blog é vosso.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?