Quarta-feira, Março 28, 2007

Irreversível

O céu estava nublado dando ao feriado uma aparência cinzenta. A madrugada ia se dissipando e os pássaros começavam a cantar perto da sua janela. Ainda deitado, virou para o lado e viu que dentro de minutos o despertador daria o sinal de vida. Tratou de levantar interrompendo o barulho costumeiro de todos os dias. Tomou seu banho, fez um café da manhã depressa e voltou para o quarto para começar a se arrumar. Então ouviu que seu celular estava tocando. Deixou a ligação morrer enquanto colocava seu cachecol.

Olhou pela janela para averiguar o tempo lá fora e ouviu seu telefone tocar lá na sala. Permaneceu imóvel, pensativo. Sentou em frente ao computador e viu que havia mensagens novas no seu correio eletrônico. Enviou para a lixeira e deletou em seguida sem se dar ao trabalho de ler. No messenger, alguns contatos o chamavam insistentemente, mas ele não respondeu. Desligou a máquina, pegou um molho de chaves, sua carteira, seu capacete, calçou os sapatos e saiu.

Foi até o parque central e resolveu caminhar um pouco. A manhã ia passando depressa e a hora do almoço ia se aproximando. O local estava cheio, muitas famílias passeavam aproveitando o dia de feriado, sem chuva, sem sol.

Resolveu sair dali. Foi caminhando de volta ao estacionamento e notou que uma jovem, sentada em frente ao lago, olhava fixamente para ele. Quando passou em frente, ela acenou para ele, sorrindo. Mas ele não arriscou parar. Devolveu o aceno e prosseguiu.

Resolveu almoçar perto dali, no shopping que ele frequentava com certa frequência. Chegou e foi direto comer, escolhendo uma mesa bem ao fundo. Viu que do outro lado, alguns de seus amigos almoçavam juntos. Tratou de comer depressa e foi logo saindo dali indo se refugiar no cinema.

Na escuridão da sala, escolheu um lugar mais discreto, bem no canto. Quando o filme começou, notou que havia algo errado. Não poderia viver fugindo. Uma mulher bem ao seu lado tentou se aproximar colocando a mão sobreseu braço. Ele então abandonou a sala. Estava frustrado. Simplesmente não conseguia o que tanto queria.

Lembrou do celular, do telefone na sala, do computador no quarto. Lembrou da jovem no parque, recordou os amigos que almoçavam ali perto e então seu pensamento chegou até a mulher que agora pouco tentava contato com ele.

De volta ao estacionamento, ligou sua moto e saiu em disparada. Passou em casa, arrumou as malas e foi embora. Dentro de si uma certeza, de que não era justo fugir daqueles que o seguiam. Mas, ao mesmo tempo, era injusto permanecer sendo perseguido por algo que ele vivia a lamentar.




À medida que me aproximo, me afasto...

Domingo, Março 25, 2007

"P"ost aparentemente

Dizem que a curiosidade matou um gato, um soldado, um civil...



Quer saber o que é?

Se trocar o "p" pelo "b", terá uma lata de lixo!




Nota da direção deste pasquim: não, lá dentro não há armas químicas!

Ditados meus

Um dia desabafamos, outro dia somos desabafados, outro ainda, somos desabafos...




Diga-me com quem tu andas e dir-te-ei o que desabafas...

Sexta-feira, Março 23, 2007

Descarrego

Um azar nunca vem só!




Importa-se de repetir?

Curto e grosso

Quando a diplomacia é desburocratizada...




Achou o Lula sem vergonha? Clique aqui!

Quarta-feira, Março 21, 2007

Favorita

Entramos na estação da cor castanha! Que delícia!




Aishwarya Rai




Nota: o título refere-se à estação. Títulos à parte, ainda bem que nasci homem!

Continue

Quero agradecer a todos pelos comentários de apoio e incentivo, todos foram importantes na minha decisão de não parar definitivamente. Todos, sem exceções!



Quando um brilho começa a ser ofuscado, temos que acender outro, antes que a escuridão prevaleça.

Só as cinzas não renascem...




Nota: i'm back!

Domingo, Março 18, 2007

Limiar

Ficou um vazio do tamanho da Lua.




Nem sempre o mais importante é o que importa.




Nota: perdi as minhas vontades, perdi os meus prazeres, tudo isso me foi roubado...

Sexta-feira, Março 16, 2007

Notícias que vão mudar o mundo (parte 1)

Um homem pulou a cerca da Casa Branca nesta sexta-feira e foi rapidamente levado sob custódia, informou o Serviço Secreto.




Nota: ok, ok, se a moda pega, aí que o Sistema Peniteciário entra em colapso total e definitivo! Os divorciados agradecem!

Gosto indiscutível

Reynaldo Gianecchini e Preta Gil voltaram a sair juntos, desta vez na festa da grife Calvin Klein, realizada no Rio de Janeiro nesta quinta-feira.

No evento, que reuniu cerca de 800 convidados, entre eles Cléo Pires e Luana Piovani, os dois deram risadas, tomaram drinques e tiraram fotos na entrada, fazendo a alegria dos fotógrafos. Durante todo o tempo, porém, eles mostraram que são apenas amigos.

O ator já havia passado o Carnaval junto da cantora, além de sair com ela em bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Antes de Preta Gil, Gianecchini teve seu nome ligado a outras mulheres, entre elas Gisele Itié e Carolina Ferraz.




O que pensaria a Gabriela e o Gilberto?




Nota: depois dessa, tenho certeza que eu e Gianecchini nunca brigaremos por causa de mulher, eu juro! É sério!

Dedução

Interpreta tu também!




Adivinha companheiro, adivinha!

Ditados meus

Depois dos dias úteis, vem o fim de semana, vem o final da semana e o início mais uma vez.




Um bom fim e início de semana, inútil, exceto para o lazer!

Terça-feira, Março 13, 2007

Liberta

Deslizou a mão pela pedra fria sentindo a textura nua e crua. Bateu com força dividindo a peça em duas partes. A poeira branca preenchia o ar e colorava o chão. A parte superior foi escorregando lentamente para os braços do artista. Com cuidado, tratou de começar o seu minucioso trabalho pela parte central.

Começou a martelar de leve, provocando frêmitos nas quinas da imagem que ia nascendo. Com as costas das mãos, ia enxugando o suor que se confundia com o pó branco que caía lentamente. O cansaço aumentava com a dificuldade de dar contorno à obra. Seus músculos começavam a ficar dormentes e seus olhos enchiam-se com a poeira inevitável.

Não podia desistir, não agora que começava a perceber cada ângulo projetado mentalmente. Com um cinzel, foi moldando a face, abstrata, marcada com o toque dos gênios que conseguem encaixar variáveis de sentimentos em suas obras.

Contornou a pedra com o olhar milimétrico, apurando os detalhes, a forma em si, o contraste geométrico. A cada batida com o martelo, sentia-se mais perto da linha do horizonte, algo impossível, porém ali, palpável. Real e concreto.

O cansaço o fez desistir de esculpir todo o material. Abandonou a parte inferior. Mas não poderia deixar inacabada. Tratou de prosseguir num ritmo mais rápido, antes que escurecesse e fosse capturado pelo sono. A dor já o acompanhava para avisar que seu corpo não era mineral. Suas mãos tremiam com a posição incômoda que permanecia tentando dar vida.

O suor já começava a atrapalhar e ele tirou a roupa numa tentativa desesperadora de não sucumbir na reta final. A lassidão dificultava ainda mais na elaboração dos contornos mínimos e da aparência essencial. Estavam nus, artista e obra, num duelo contra o tempo. Na sua exaustão, caiu esbarrando na sua companhia que lentamente foi ao chão. Num esforço sobre-humano, saltou para savá-la impedindo a tragédia.

Agarrou o resultado inacabado e ficou consternado ao perceber que os olhos não tinham vida. Deitado por cima dela, como se fossem se amar ali mesmo, começou a desenhar o olhar a cada batida mansa com o cinzel.

Sua respiração ofegante umedecia a superfície e o suor se confundia com o pó branco. O atelier estava abafado, a luz opaca destacava o descolorido da figura. Pegou no rosto dela e arriscou um beijo leve e sorrateiro. Conteve-se. Levantou lentamente puxando sua amante contra o peito. Deu um último suspiro enquanto a mirava. Agora sim, os olhos tinham vida. Sorriu um sorriso que ladeava a boca. Seu trabalho estava concluído. Abriu as cortinas e um vento gelado varreu todo o atelier fazendo uma confusão esbranquiçada. Abriu a porta e saiu. Arriscou um olhar para trás e viu de longe que ela se despedia, não com movimentos, mas com a singeleza do olhar.




Reação X Ação

Resolveu começar a agir. Era véspera de feriado e isso de certa forma adiantou sua decisão. Ele sabia que o fim de semana seria prolongado mas não queria permanecer na mesmice. Sentia que algo estava errado. Não sabia o que era mas podia sentir. Acordou cedo e antes que saísse da cama, mergulhou seus pensamentos no porta retrato que jazia sobre sua cômoda. A fotografia o encarava de frente. Ele sabia que era um duelo desigual e então resolveu levantar.

Após o café decidiu sair. Fechou a casa e desligou o celular atirando o mesmo no banco do carona. Seguiu depressa pela auto estrada. A viagem era longa e ele sentia como se fugisse de tudo, de todos, dela. Arriscou ligar o rádio mas deteve-se. Queria o silêncio, nada mais o interessava.

Foi guiando o automóvel com uma das mãos. O óculos escuro e os cabelos ao vento passavam uma falsa impressão de liberdade. O outro braço do lado de fora, sentia a brisa marítima que contornava a paisagem de fora a fora. Mas ele sentia-se preso, pior, sem saída.

Finalmente quando chegou à casa de praia, conseguiu sentir que ali estava inalcansável. Estacionou na entrada e saiu deixando para trás o celular junto com o mundo do qual ele tencionava distância e desapego.

Chegou e foi logo preparando os drinks e então sorriu aliviado. Ainda não havia se acostumado que agora estava recomeçando e por enquanto, um copo era o suficiente.



Não me ligue que eu não lhe telefono.

Não me sirva que eu não lhe ofereço.




Nota: quando mudamos o costume sobre algumas pessoas, demoramos a perceber a diferença na qualidade e na quantidade das nossas rotinas.

Catedrático

Vivo a espera dramática...
... sinto a mesmice estática...
... fugindo da mentira fantástica...
... enfrentando a verdade da forma mais drástica!

Existo e resisto contra a hipocrisia simpática,
mesmo adotando uma postura antipática,
mantenho a alma fleumática,
contrariando a lógica humana e matemática.




Sobrevivo a este enigma enigmático...

Interior

Mesmo quando tudo dá errado, devemos manter a esperança porque se temos esse dever, é porque estamos vivos e se estamos vivos, temos mais um dia para recomeçar e assim, tentar mais uma vez.




Cada um tem o brilho que enxerga.

Segunda-feira, Março 12, 2007

Tingido

Cuidado morenas, às vezes um sorriso despretensioso brilha muito mais que a pele.



Ah Thiago! Ah Thiago! Sinto a temperatura do blog subindo. Já estou úmida. Sou tímida sim e daí?

Kate Bosworth

Sábado, Março 10, 2007

Adágio com doces

Ouço a música que te fascina
aqui, ali, na escuridão que predomina,
penso em ti e desejo-te aqui, chama que me domina,
vou e venho, penso e sonho em ti, gata sorrateira, felina!

Acordo com o barulho do som da tua voz cristalina,
imaginei teu olhar me hipnotizando, és a minha sina,
abri a janela sentindo o aroma matinal, o orvalho, a neblina,
apaixonei-me por ti, como mulher, como menina.




Parabéns a todas as mulheres!




Nota: vou ali tomar uma ducha quente!

Questão de sorte

Não existe ex sogra! Mesmo com o divórcio, uma sogra é para sempre! Ok, ok, eu ainda não casei, não tenho sogra portanto.




Há quem colecione...

Ditados meus

Quando não queremos algo, algo vem até nós da forma mais simples e fácil. Nada mais agradável que contrariar a lógica!




Queriam que eu dormisse...

Sexta-feira, Março 09, 2007

Notícias

O Brasil e os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de etanol.

Bush prova caldo de cana brasileiro.

O presidente americano conhece a tecnologia total flex.

O Brasil é o maior produor mundial de Biodiesel, combustível feito de oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas, avelãs, soja, mamonas e etc...) que servirá futuramente para substituir o petróleo quando o mesmo findar.

Depois do Brasil, Bush seguirá para o Uruguai, passando ainda por Colômbia e México.

Hugo Chávez também está rodando pela América, no momento encontra-se na Argentina onde mais à noite será o principal orador num discurso contra a política americana. O presidente venezuelano chegou a dizer que Bush mente quando diz que está preocupado com a pobreza nos países menores da América Latina e disse ainda que Bush deveria ganhar uma medalha de ouro pela hipocrisia (aproveitando que o mesmo se encontra aqui no Brasil e que será justamente aqui os jogos Pan Americanos).



Lula: vamos tomar uma? Você aproveita e me conta sobre as armas de destruição que nunca foram encontradas. Elas existem mesmo, não é? Eu sempre desconfiei...

Bush: eu não sei e nem sabia de nada! Primeiro vou ali ver quantos civis iraquianos morreram desde que a guerra começou.

Quarta-feira, Março 07, 2007

Eu mesmo comigo próprio...

Hoje não quero escrever nada. Não me apetece dizer nada. Não direi nada. Especialmente hoje nada falarei. Guardarei para todo o sempre o que eu disse e nunca, nunca mais repitirei. Nunca! Jamais! Não me venha com o ditado estúpido que diz: "nunca diga nunca!". Não direi mesmo. Há momentos para parar, para resetar, reiniciar. Mas não quero isso também. Não vou recomeçar. Não vou remodelar, nem vou reconfigurar. Chega de se exigir, chega de querer adquirir aquilo que não vai existir. Eu me pergunto, para que insistir? Não vou mais me distrair, não quero mais definir nem quero a verdade repartir. Não vou me dividir. Nenhum item favorito, nenhuma pessoa predileta. Eis a diferença entre predileto e favorito. Usar com pessoa, usar com coisa. Estou certo? Não me importo! Quem sois vós para condenar? Não vou mais digitar, não vou mais "logar", não quero mais apagar, escrever, desenhar, deletar, nem isso, nem rimar. Não existe erro de ortografia. Ortografia é quando algo está certo. Não há erro do correto. Sou direto, sem rodeio, sem maquiagem, apesar dos devaneios, apesar das figuras de linguagem. Vou parar por aqui, estou resoluto. Não quero mais. Perdi algo, ganhei a paz. Recolhi. Desisti. Parei ali. Nunca mais. Nunca. Jamais. Aliás, deixarei reticências, não pela vida, mas pela escrita. Não o que eu escrevi, nem o que eu falei, nem muito menos o que eu desabafei lá, vai ficar registrado, e daí? Perdeu a serventia, não tem mais importância. Perdeu o significado, apagou a significância, mesmo sem ignorância. Pretensão que seja lido? Nem. Isto aqui é meu. Não é teu! Muito menos seu! Esta diferença nem percebeu! Estuda e aprende! Teu ou seu? Terá que aprender diferenciar para me interpretar. Entender a diferença entre esta e essa. Não quer me interpretar? Deixo para lá. Onde fica? Aonde vai ficar? E as diferenças prosseguem. Esqueça aquilo, definitivamente, para sempre.



Se o ditado "nada é por acaso" fosse verdadeiro, a palavra "acaso" não precisaria existir.

Se o ditado "nada é para sempre" fosse verdadeiro, o infinito não precisaria existir.




Nota: nada mais importa.

Terça-feira, Março 06, 2007

Fui

O pensamento vem e me atrai...
... sinto-me como um imã pronto para o oposto.
Guardo sensações e idéias.
Quem sou?
Sou a tua perseguição momentânea.
Sou tua idéia seletiva.
Sou tua melancolia espontânea.
Sou sua paixão progressiva...




Adágio

Quando o amor se instaura, a primavera se esquece...
Quando a paixão desmonta, o inverno se instala...
Quando o desejo arde, o verão se restaura...
Quando me decido, minha tristeza se arrefece!




Sou o outono de mim mesmo!

Sábado, Março 03, 2007

Ímpar

Decidiu ficar só. Começaria uma nova vida a partir de então, sem confusões, sem tristeza. Saberia que seria difícil seguir dali, solitariamente, mas não impossível. Sua rotina estaria prestes a mudar radicalmente. Sair sem companhia, ingresso unitário nos cinemas, celular tocando muito menos.

Acordou cedo e depois do desjejum foi direto para o museu. Entrou na sala quadrada e ficou ali, na sua concentração desmedida. Uma hora depois estava de volta. Ligou o computador, leu alguns emails e preparou-se para o dia.

À noite, depois do banho, deitou na cama e ficou pensando em tudo que deixava para trás. O silêncio aos poucos fazia o convite ao sono e esse cerrava seus olhos cansados. Acordou de madrugada, sentia-se a criatura mais só que existia. Tomou um copo d'água à beira da cama e chorou lembrando coisas que seriam terminantemente difíceis de apagar da sua memória.

Pela manhã, voltou ao museu, deixou-se ficar ali por uma hora. À tarde, pensava no museu e na sua vida. À noite, depois do banho, deitou na sua cama e ficou à deriva em pensamentos que já eram rotina em seu dia-a-dia.

Dormiu.

Bem cedo, voltou ao museu...

Sua vida foi seguindo este hábito, e nada mudava. O sofrimento não diminuía, nem do passado, nem do presente. havia ainda o medo do futuro. Não sabia o que esperar da solidão que espreitava nos recantos da sua existência.

Todas as manhãs depois de ficar no museu por uma hora, voltava para casa. À tarde se prendia no seu sótão e ali tratava de se distrair. Era sua válvula de escape. Não considerava um trabalho ficar no sótão.

Numa manhã corriqueira, perguntaram o por que de todas as manhãs, estar ali naquele museu. Depois de ouvir a pergunta, apenas respondeu que estava trabalhando. E assim ia vivendo. Passava todas as manhãs a olhar um pedaço de mármore, isso sim era seu trabalho, e, à tarde ia dando forma àquilo que de alguma forma fazia passar o tempo e acalmava seu espírito.

Meses depois estava pronto. Ela havia terminado. Ficou feliz com o resultado, mas uma coisa lhe deixava preocupada. Haveria de arranjar outra coisa para fazer. Não podia ficar parada, precisava se ocupar, problema de abstinência. Era a única maneira de aliviar suas dores.

Seu "eu" estava em conflito. Uma parte dela queria se livrar do passado, a outra queria fugir do futuro. Deitou na cama e começou a pensar no que faria agora.




Cada vida é uma obra, cada pessoa um resultado...

Quinta-feira, Março 01, 2007

Tênue

Estava cansado daquilo tudo. Entrou no ônibus e olhou as horas, viu que a madrugada ia começando, era o último ônibus. Abriu a janela e foi apreciando a paisagem enquanto amargava o sabor da dúvida que pairava sobre suas emoções. Precisava se livrar antes que o desespero tomasse conta do seu íntimo, "como era difícil!", pensou.

À medida que o ônibus ganhava altura, o mar lá embaixo ficava mais escuro. O céu estava límpido e a lua amarelada brilhava, absoluta e eterna! Fechou os olhos e um rosto veio em sua mente. Sem se dar conta, estava presenciando um duelo interno. Lá no fundo de sua imaginação, lá no interior do seu emocional havia uma divisão, entre uma dúvida e um preenchimento inédito. Não tencionava uma válvula de escape para se livrar dos problemas causados por ela. Apenas queria paz e estava vendo uma luz no fim do túnel. Havia outra pessoa que esticava a cabeça lá no fim e esta pessoa começava a causar uma curiosidade que ia diminuindo o sofrimento de suas dúvidas tão comuns sobre ela.

Levantou da poltrona quando o ônibus saía da ponte e deu sinal. Caminhou até à porta e desceu no ponto de sempre. Acendeu um cigarro e com as mãos no bolso foi caminhando cabisbaixo. O duelo ia se arrastando e ele estava na sua platéia mental, esperando o desenrolar entre as dúvidas que traziam sofrimento já comum e a surpresa misteriosa que era mais frequente ultimamente.

Chegou finalmente em casa, deitou no quarto escuro e ficou mergulhado na expectativa de quem espera um final feliz. Mais uma vez pensava nela e as dúvidas ressurgiam, e mais uma vez a outra aparecia, por baixo do véu, por trás da árvore, por baixo do pano. Ironia que nisso tudo, a persoangem secreta era representada pelo suspense, pelo mistério, mas diferente das dúvidas que lhe machucavam face à pessoa com quem ele já era acostumado. Ouviu seu celular tocando. Levantou para atender mas hesitou. Não conhecia o número que chamava. Ficou de pé, no centro do quarto, absorto. Então seu telefone começou a tocar também. Ele tinha certeza que no telefone era ela, mas no celular poderia ser aquela que o perseguia cautelosamente provocando o enigma. Olhou para um, olhou para o outro. Resolveu atender o celular, não queria mais se machucar no drama da instabilidade, só queria arriscar uma saída, mesmo que fosse desconhecida, antes que perdesse a oportunidade.



Para resolver um problema...

... é preciso enxergá-lo e não exercitá-lo...

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